Kelly Cestari/WSL
Gabriel Medina em Pipeline Kelly Cestari/WSL

Brasil tem ano mágico no surfe com Gabriel Medina puxando a fila

Bicampeão mundial tem ao seu lado uma legião de bons surfistas que já dão o que falar lá fora e incomodam gringos

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 04h35

A tempestade brasileira no surfe mostrou que não é passageira e representa a consolidação da modalidade no País. ‘Brazilian Storm’ é como os surfistas do Brasil são chamados no circuito. O ano de 2018 ficará marcado pelo sucesso dos atletas nacionais em diversas parte do mundo e tudo isso gera expectativa para 2019 e 2020, quando o surfe estreará no programa olímpico dos Jogos de Tóquio.

Gabriel Medina conquistou seu bicampeonato mundial no mesmo dia que Jesse Mendes ganhou a Tríplice Coroa Havaiana, uma honraria para os surfistas. Das 11 etapas realizadas no Circuito, os atletas brasileiros ganharam nove – nas últimas cinco temporadas, três títulos do Mundial da elite ficaram nas mãos de surfistas brasileiros.

Além disso, Mateus Herdy, de 17 anos, foi campeão mundial pro júnior no mesmo evento que Samuel Pupo ficou em terceiro. Em 2018, Rodrigo Koxa e Maya Gabeira tiveram seus nomes oficializados no Guinness, o livro dos recordes mundiais, com a maior onda surfada por um homem e uma mulher.

“O Brasil está vivendo seus melhores momentos no surfe. Essa geração está mostrando ao mundo toda a sua força e esse ano vencemos nove de 11 etapas. Isso só engrandece nosso esporte e nosso País e dá esperança para outras crianças que querem viver desse sonho e ser surfista profissional viajando o planeta”, comenta Italo Ferreira, que ficou na quarta colocação no Circuito Mundial.

Esse bom momento nacional ligou o sinal de alerta nos atletas de outros países. Medina conta que, em conversas com o australiano Mick Fanning, tricampeão mundial, o experiente surfista não entende como tem aparecido muitos bons profissionais no Brasil, jovens e talentosos, enquanto em sua pátria a renovação é mais demorada.

“O Brasil tem incomodado bastante lá fora. Os gringos sentem, se preocupam, e isso é bom. O surfe brasileiro tem crescido muito. Estamos com 11 atletas no Circuito, nos últimos anos conquistamos três títulos mundiais, neste ano tivemos dois brasileiros na briga em Pipeline, ou seja, cada ano melhora mais. Fico feliz de ter participado disso e de ter mudado a história deste esporte no nosso País”, comenta Medina.

Os dois títulos mundiais dele e o de Adriano de Souza, o Mineirinho, em 2015, ajudaram a popularizar ainda mais o surfe. A longa faixa litorânea brasileira também contribui para que mais pessoas possam praticar o esporte, mesmo que inicialmente apenas como diversão. Por todos esses fatores, o potencial de crescimento da modalidade nos próximos anos é grande.

Gabriel Medina lembra que colocou dinheiro do próprio bolso para criar o instituto que leva seu nome em Maresias, litoral paulista. “Tenho investido nessa nova geração. Criei o IGM, que dá oportunidade para as crianças terem um dia de atleta, e torço muito para essa nova geração. Acho que logo teremos mais surfistas brasileiros no Circuito Mundial”, acredita.

Italo concorda com seu amigo de prancha e vê o Brasil muito forte nos próximos anos. “Daqui a alguns anos o Brasil vai dominar o Circuito Mundial de Surfe. Antigamente era a Austrália, mas hoje em dia é o Brasil e isso só nos orgulha”, avisa.

 

Quatro perguntas para Charles Saldanha, padrasto e treinador de Gabriel Medina

 

1. Os surfistas estrangeiros estão de olho no trabalho que é feito com o Gabriel?

Eles já estão olhando e copiando a gente. Já percebi que eles começam a copiar como a equipe do Gabriel se prepara. Eles ficam de olho no surfe, no treino. Ele é o homem lá no topo, todo mundo almeja isso e tenta ver os segredos dele. A gente tenta esconder os segredos, continuar o trabalho e melhorar.

2. É verdade que atletas de outros países estão indo treinar no Instituto?

A gente recebeu neste ano a visita de alguns europeus, vai vir a equipe olímpica chilena, o pessoal da Argentina... A gente está servindo um pouco de espelho para os outros, mas existem alguns segredinhos que a gente não mostra.

3. Como será a programação do Gabriel para a próxima temporada?

Esse ano o Circuito Mundial começa um mês mais tarde, em abril, então vamos ter de alterar um pouco. Teremos metade desse período em treino e a outra parte em férias. E vamos seguir a rotina de sempre. Ele ficou entre os três mais bem colocados nos últimos cinco anos, então a rotina não está errada.

4. O projeto é de competir por muito tempo entre os melhores?

O Gabriel tem de estar feliz no que faz porque senão chega no meio do caminho e desiste. Ele é um atleta que não precisa tomar vitamina, é forte naturalmente, e isso faz com que dure mais tempo. Ele está aí para fazer o resultado por mais de dez anos.

 

 

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Bicampeão mundial vai disputar etapa de surfe em Fernando de Noronha

Gabriel Medina pretende utilizar o Hang Loose Pro Contest como parte de seu treinamento para a temporada

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 04h36

A primeira grande parada do calendário mundial de surfe será em Fernando de Noronha, onde ocorre o Hang Loose Pro Contest entre os dias 19 e 24 de fevereiro, valendo 6 mil pontos para o ranking da divisão de acesso. O bicampeão mundial Gabriel Medina já confirmou presença no evento, que servirá para ele de preparação para o Circuito Mundial, que começa apenas em 3 de abril, na Austrália.

“Estrategicamente é bom competir lá porque todo atleta é obrigado a correr duas etapas da divisão de acesso. Com isso, o Gabriel já cumpre uma e caso chegue com chances de título novamente no Havaí pode focar só no Pipe Masters, sem precisar disputar os outros eventos”, diz Charles Saldanha, padrasto e técnico de Medina, que volta a treinar no fim de janeiro.

A tradicional competição será realizada na praia da Cacimba do Padre, numa época de ótimas ondas tubulares. Pela alta pontuação e premiação de US$ 130 mil (R$ 510 mil), sendo US$ 25 mil (R$ 98 mil) ao campeão, o evento tem tudo para atrair grandes nomes do surfe. Outro ponto é que quem vencer a prova e conquistar os 6 mil pontos dará um passo importante para chegar à elite do surfe em 2020.

Até hoje foram realizadas 31 edições do Hang Loose Pro Contest, sendo que entre 2000 e 2012 ele foi disputado em Noronha. O australiano bicampeão mundial Tom Carroll venceu a competição duas vezes, em 1987 e 1988. No ano passado, quando foi realizado em Maresias, no litoral paulista, quem ganhou a etapa foi Deivid Silva.

“É muito bom voltarmos a abrir o calendário da WSL com uma etapa tão especial, com importantes pontos para os nossos atletas logo no início da temporada e com ondas perfeitas”, diz Xandi Fontes, diretor-geral da WSL na América do Sul.

 

 

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