Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Brasil tem 'apagão' e deixa escapar o ouro olímpico contra a Rússia

Seleção masculina de vôlei sofre virada e perde final no tie-break por 3 sets a 2 em Londres

LEANDRO SILVEIRA, Agência Estado

12 de agosto de 2012 | 11h31

  

SÃO PAULO - A seleção brasileira masculina de vôlei teve um início excelente de partida, mas não conseguiu conquistar o seu terceiro título olímpico. Neste domingo, na final dos Jogos de Londres, a equipe perdeu, de virada, para a Rússia por 3 sets a 2, com parciais de 19/25, 20/25, 29/27, 25/22 e 15/9, em 2 horas e 8 minutos, na Earls Court.

Assim, o Brasil, campeão olímpico em 1992 e 2004, passa a acumular três medalhas de prata. As outras foram obtidas nos Jogos de Los Angeles/1984 e Pequim/2008. Esta foi a terceira final olímpica seguida da seleção brasileira masculina de vôlei, que foi campeã há oito anos, em Atenas, com triunfo sobre a Itália na decisão, e vice em 2008, em Pequim, quando perdeu para os Estados Unidos.

Desde a chegada de Bernardinho, em 2001, o Brasil tem impressionante domínio do vôlei masculino, tanto que é o atual tricampeã mundial, mas ficou com a medalha de prata nas últimas duas edições da Olimpíada. Com essa derrota, Dante, Serginho, Giba, Ricardinho e Rodrigão, que foram campeões em 2004, não conseguiram repetir a conquista em Londres.

Na campanha da medalha de prata, o Brasil sofreu uma derrota antes da final, para os Estados Unidos, na fase de classificação, quando passou pela Rússia, por 3 sets a 0. As outras vitórias na etapa inicial foram sobre Alemanha, Sérvia e Tunísia. No mata-mata, o desempenho da seleção brasileira foi perfeito até a decisão, com vitórias por 3 a 0, sobre a Argentina, nas quartas de final, a Itália, nas semifinais. Mas na decisão a equipe parou nos russos.

Com a prata obtida deste domingo, Bernardinho se torna o único brasileiro com seis medalhas olímpicas. Ainda como jogador, ele ficou com a prata em 1984. Depois, foi bronze em 1996 e 2000 como treinador da seleção brasileira feminina de vôlei. Além disso, foi o técnico no título da seleção masculina em 2004 e no vice-campeonato de 2008.

A conquista da medalha de prata neste domingo encerra o excelente desempenho do vôlei brasileiro na Olimpíada de Londres. O País foi campeão olímpico com a equipe feminina, além de ter sido vice-campeão na praia com Alison e Emanuel. Já Juliana e Larissa conquistaram o bronze.

O jogo. A seleção brasileira teve um início espetacular de partida, venceu os dois primeiros sets com facilidade, mas depois não conseguiu manter o mesmo ritmo. Com mudanças, a Rússia foi superior no terceiro e quarto sets e empatou o duelo. O tie-break também foi dominado pelos russos, que, assim, conquistaram a medalha de ouro. O russo Dmitriy Muserskiy foi o principal responsável pelo triunfo ao fazer 31 pontos, quatro a mais do que o brasileiro Wallace.

O Brasil começou melhor do que a Rússia, apostando em bolas de velocidade e foi ao primeiro tempo técnico vencendo por 8/5. A Rússia tentou equilibrar o duelo com saques forçados, mas a estratégia não surtiu efeito. Além disso, a equipe cometia muitos erros diante da seleção brasileira, que mantinha uma regularidade e chegou a abrir 14/8. Depois, foi ao segundo tempo técnico vencendo por 16/11.

O ataque e o saque do Brasil funcionavam bem e a Rússia não conseguia pontuar no bloqueio, tendo enorme dificuldade para barrar Murilo, que fez oito pontos no primeiro set, vencido por 25/19 com certa facilidade.

A Rússia tentou equilibrar o duelo no começo do segundo set, chegou a abrir 2 a 0 com Tetyukhin no saque, mas o Brasil logo reagiu. Com saques forçados, a seleção brasileira dificultava a recepção dos russos e foi ao primeiro tempo técnico vencendo por 8/5.

Os jogadores russos continuaram com dificuldades para pontuar em contra-ataques, enquanto a seleção brasileira defendia muito bem e Wallace era o principal destaque nos ataques. Assim, o Brasil foi ao segundo tempo técnico vencendo por 16/12. A Rússia se aproveitou de erros brasileiros para fazer três pontos seguidos e diminuir a vantagem brasileira para 16/15.

O Brasil, porém, voltou a se impor e abriu 19/15. Assim, forçando o saque até o final da parcial, com bom desempenho do bloqueio e volume de jogo, a equipe fechou o segundo set em 25/20 para abrir 2 a 0 na decisão do vôlei masculino na Olimpíada de Londres.

Com mudanças táticas, como a colocação de Muserskiy na função de oposto, a Rússia reagiu no terceiro set, equilibrou o duelo e foi ao primeiro tempo técnico vencendo por 8/7. O Brasil, porém, voltou a liderar o jogo com o bom desempenho nos contra-ataques, principalmente de Wallace, e abriu 13/10.

A Rússia voltou a equilibrar o jogo, mas o Brasil foi ao segundo tempo técnico com vantagem de um ponto (16/15). A seleção brasileira, no entanto, novamente retomou o controle do duelo. Bruno acionou Wallace nos momentos de definição, a defesa funcionou a equipe abriu 22/19. Mas a Rússia não desistiu. Empatou em 22/22, salvou dois match points e contou com o ótimo desempenho de Muserskiy para vencer por 29/27.

A seleção brasileira começou o quarto set sem Dante, com dores no joelho esquerdo, que foi substituído por Giba. O início da parcial foi muito equilibrado, com as duas equipes forçando o saque. A Rússia foi ao primeiro tempo técnico vencendo por 8/7. O duelo seguiu equilibrado até os russos marcarem quatro pontos seguidos. Assim, fizeram 16/12 amparados pelo ótimo desempenho de Muserskiy. Enquanto isso, Giba tinha atuação ruim.

Assim, o treinador trocou Gilba por Thiago Alves, mas o Brasil não conseguiu reagir. Superior, a Rússia abriu 20/14. Bernardinho fez algumas mudanças e a seleção brasileira reagiu e diminuiu a vantagem dos russos, que cometeram alguns erros, para 22/19. Mesmo assim, a Rússia venceu por 25/22 e forçou a realização do tie-break.

O Brasil cometeu erros no começo do tie-break e permitiu que os russos abrissem 6/3. Agressiva e sem sentir a pressão, a Rússia fez 9/4. O Brasil não conseguiu mais incomodar a defesa da seleção russa, que confirmou a sua superioridade no set decisivo e venceu por 15/9 para conquistar a medalha de ouro na Olimpíada de Londres.

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