Brasil tem meta ambiciosa: 7º lugar

Mesmo com delegação menor, o objetivo é ter resultado melhor do que o 9º lugar obtido em Pequim, há quatro anos

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h04

Há um Brasil que quer ser potência no esporte e outro que já é. O segundo grupo vai entrar em ação a partir da próxima quarta-feira, dia da cerimônia de abertura da Paralimpíada de Londres que terá 4,200 atletas de 160 que competirão em 20 esportes. A meta é audaciosa: o sétimo lugar no quadro de medalhas, duas posições acima do desempenho apresentado há quatro anos, em Pequim. Tudo visando os Jogos de 2016 no Brasil, quando o objetivo será o quinto lugar.

Não é de hoje que a delegação brasileira tem progressos expressivos. O País saltou de 24º lugar no quadro geral de medalhas nos Jogos de Sydney/2000, para 14º em Atenas/2004 e 9º em Pequim/2008. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) quer dar continuidade ao processo de evolução do País apesar de a equipe nacional - 182 atletas (115 homens e 67 mulheres) - ser menor do que a que foi para a China -188 atletas.

Alguns dos principais astros e estrelas do Brasil já são conhecidos do público brasileiro. É o caso do trio de nadadores Daniel Dias, André Brasil e Clodoaldo Silva, esperança de muitas medalhas ao lado dos corredores como Lucas Prado e Terezinha Guilhermina.

Daniel, chamado por alguns de versão paralímpica de Michael Phelps, conta que desta vez vai lutar 'só' por oito medalhas. "Acho que dá para garantir pelo menos seis nas provas individuais", avalia. Explica que fez um bom ciclo paralímpico e procura levar a pressão que recebeu após as conquistas em Pequim - quatro ouros, quatro pratas e um bronze na primeira participação nos Jogos. "Levo na brincadeira quando me dizem que não aceitam menos de nove medalhas", diz bem humorado.

Para Clodoaldo Londres será uma chance de ressurgimento depois da mudança de classe em Pequim, de S4 para S5, a qual teve impacto direto em seus resultados. "Procurei usar a frustração, a raiva e a decepção de uma forma positiva." O nadador, que se considera injustiçado até hoje, intensificou os treinamentos e acredita em medalha mas revela que seu corpo tem sido levado ao limite. Sua filha Anita, de oito meses, serve de inspiração extra.

No atletismo, Lucas Silva vai lutar pelo bicampeonato nos 100, 200 e 400 metros enquanto Terezinha Guilhermina será a esperança brasileira na versão feminina das provas.

Mas também haverá espaço para novidades. Se no tênis feminino não temos ídolos desde Maria Esther Bueno, na versão paralímpica em cadeira de rodas o Brasil terá a estreia de Natalia Mayara. Outro destaque é Bruna Alexandre, do tênis de mesa.

A equipe brasileira teve uma fase final de preparação de potência. Dias,Clodoaldo. e vários atletas da natação e do atletismo foram para Sierra Nevada, na Espanha, fazer treinamento em altitude. Na sequência, foram para Manchester, na Inglaterra e depois para Londres, destino final após quatro anos de trabalho árduo.

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