Brasil tenta brilhar em casa com o talento de Edna Santini no rúgbi Sevens

Eleita a melhor jogadora de 2013, atleta da seleção feminina sonha com os Jogos do Rio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 17h40

Eleita por especialistas a melhor jogadora de rúgbi Sevens do Brasil em 2013, Edna Santini é uma das esperanças para a disputa do Bradesco Rugby Sevens Brasil, a terceira etapa do Circuito Mundial feminino que será realizada na próxima sexta e sábado na Arena Barueri. Aos 21 anos, a garota do São José sabe o quanto teve de suar para chegar ao topo do esporte que voltou para o programa olímpico e estará presente nos Jogos do Rio, em 2016.

Apesar da juventude, Edna já tem muito tempo de prática, mais até do que muitas garotas mais velhas e experientes da seleção. "Comecei a jogar com 10 anos. Eu morava perto de uma praça onde o pessoal do São José Rugby treinava e gostei daquilo. A maioria era menino, mas perguntei para meus pais se podia jogar e eles deixaram. Fiquei até os 15 anos treinando com meninos", conta. "Era uma situação engraçada porque eles me defendiam em campo", diz, lembrando que o rúgbi é um esporte de muito contato.

Até hoje ela acha graça de como sua família vê o esporte, mas garante que o apoio dentro de casa foi fundamental para que pudesse se desenvolver. "Meus pais nunca entenderam muito bem o que é o rúgbi, mas sempre viram que era bom para mim e tinham muita confiança no pessoal do clube. Certa vez meu pai até falou para eu ir para o futebol, que no rúgbi não teria futuro. Mas hoje ele apoia e até divulga para os amigos."

Filha de um autônomo e de uma costureira, a falta de dinheiro também foi um problema para que Edna pudesse praticar o esporte. Mas com o auxílio do clube, ela conseguiu continuar treinando. "Eu dependia muito da ajuda do pessoal do São José, pois meu pai e minha mãe não tinham dinheiro sobrando. Para cooperar, minha mãe até lavava os uniformes dos jogadores do clube. Essa situação de vida me ensinou muita coisa", revela.

Edna é uma jogadora rápida e habilidosa. Isso é fundamental no Sevens, que é praticado em um local com as dimensões de um campo de futebol, mas com apenas sete atletas na linha. "Eu prefiro encarar jogadoras inglesas de 90 kg do que a Edna, que é muito ágil", afirma sua companheira Julia Sardá, também da seleção brasileira. "O Sevens é muito dinâmico e o preparo físico é fundamental", complementa.

Na competição em Barueri, estarão presentes as maiores potências do mundo: Austrália, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Holanda, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Japão, Nova Zelândia e Rússia. O contato das ‘Tupis’ com os times mais tradicionais também prepara a equipe para os Jogos do Rio, em 2016. "Meu sonho é disputar a Olimpíada", confessa Edna, ciente de que o fato de atuar em casa ajuda bastante. "É ótimo poder jogar diante da nossa torcida e com a presença de amigos e familiares."

FUTURO

A Confederação Brasileira de Rugby (CBru) tem um projeto ambicioso para os próximos anos. Além da meta de fazer bonito nos Jogos de 2016 com os dois times, pretende classificar a seleção masculina para a Copa do Mundo de Rúgbi em 2019. Para aprimorar a estrutura organizacional, foi contratado o argentino Agustín Danza para ser o CEO da entidade.

Já as categorias de base estão sendo olhadas com carinho. Os dirigentes acham que esse é o caminho para abastecer as seleções com jogadores de qualidade e está sendo finalizada uma negociação com a Unilever, para criar um centro de excelência para jovens, nos moldes do que Bernardinho fez no vôlei. A intenção é criar um núcleo em uma cidade que tenha força na modalidade e depois espalhar para outras regiões.

Os executivos da CBru sabem que a popularização do rúgbi é muito importante para as pretensões da entidade. Atualmente, diversos projetos sociais estão sendo tocados e várias unidades dos CEUs (Centro Educacional Unificado) em São Paulo mantêm uma parceria com a Associação Hurra para capacitação de professores para dar aula de rúgbi nas escolas públicas. Atualmente, 850 crianças estão no projeto.

SERVIÇO

Evento: 3º etapa do Circuito Mundial de Rúgbi Sevens

Onde: Arena Barueri, em Barueri

Quando: 21 e 22 de fevereiro, a partir de 14h

Ingressos: Para o primeiro dia as entradas custam R$ 8 (meia) e R$ 13 (inteira). No segundo dia os bilhetes custam R$ 10,50 (meia) e R$ 18 (inteira). Existem pacotes de ingressos para os dois dias

Informações: (11) 3864-1336

Vendas: https://www.ingresse.com.br/ingressos-bradesco-rugby-sevens-brasil

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