Brasil terá 95 atletas na paraolimpíada

Faltando pouco para os Jogos Olímpicos de Atenas, quase todas as atenções da mídia estão voltadas para os mais de 400 atletas que brigarão por medalhas na competição. Mas poucos se lembram dos Jogos Paraolímpicos, que serão realizados em Atenas assim que a Olimpíada terminar. O Brasil será representados por 95 atletas - 31 a mais do que em Sydney/2000, quando a delegação conquistou 22 medalhas - seis de ouro, dez de prata e seis de bronze. Na semana passada, os representantes do atletismo passaram cinco dias em São Paulo para fazer avaliações médicas, psicológicas, físicas e nutricionais. Entre os 26, apenas 17 irão a Atenas. O maior referencial entre os para-atletas é Ádria Santos, deficiente visual. Aos 27 anos, ela participará de sua quinta paraolimpíada. "A primeira vez foi em Seul/88. Eu não tinha idéia do que aquilo significava. A partir de Barcelona, quando ganhei a primeira medalha, é que fui perceber que a competição era importantíssima", disse a atleta, que disputa os 100, 200 e 400 m rasos e soma nove medalhas nessa competição. Em Sydney/2000, ela foi ouro nos 100 e 200m e prata nos 400 m. Hoje, o maior incentivo de Ádria, que nasceu em Belo Horizonte, é sua filha, Bárbara, de 13 anos. "Minha torcedora número 1 é ela, que esteve comigo em Sydney."Outra que deve trazer medalhas para o Brasil é Roseane dos Santos, a Rosinha, de 32 anos. Quando tinha 18, foi atropelada por um caminhão e teve de amputar quase toda a perna esquerda. Em Sydney, na sua primeira Paraolimpíada, ela levou as medalhas de ouro no lançamento do disco - em que é a recordista mundial e olímpica com a marca de 31,58 m - e do peso. "Nunca tinha praticado esporte. Em 1997, o professor Francisco Matias me viu na rua conversando com as amigas, em Recife, e me convidou para praticar esporte. Hoje, tenho 199 medalhas - duas de prata e duas de bronze, o resto é tudo de ouro", conta orgulhosa. "Em Atenas, o sonho é trazer medalhas. A gente sabe que lá fora todo mundo se prepara muito bem, mas a gente não fica atrás, não!" Outro recifense descoberto por Francisco Matias foi Leonardo Amâncio, o Gigante, de 26 anos. "Sofri de poliomielite quando tinha uns três anos. Não me lembro muito dessa época, só que tive de reaprender a andar. Estava andando na rua quando o professor Francisco me chamou para conhecer o esporte. Estou um pouco ansioso para disputar a minha primeira Paraolimpíada", assinala o rapaz, que pratica esportes há três anos e no Parapan-Americano de Mar Del Plata, em dezembro de 2003, foi ouro no lançamento do disco, prata no arremesso do peso e bronze no lançamento do dardo. Gigante é considerado promessa de medalha. "Ele tem muito a crescer. É obediente, faz tudo o que precisa fazer. Assim como a Rosinha, tem tudo para arrebentar. E isso com apenas três anos treinando", diz o orgulhoso Francisco.

Agencia Estado,

15 de março de 2004 | 09h00

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