Brasil terá recorde de custo com estádios

Levantamento feito com base em relatórios oficiais mostra que País investirá R$ 5 bilhões, bem mais do que nas últimas Copas

JAMIL CHADE - Correspondente, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Paulo Vitor/AE - 18/10/2010

A estrela da festa. O Maracanã é um dos estádios brasileiros que passarão por reformas para a Copa do Mundo de 2014. O palco da final, no Rio, custará aproximadamente R$ 1 bilhão

ZURIQUE - Sem investir em estádios há décadas, o Brasil terá de arcar com o maior custo dos últimos tempos para a construção de arenas para a Copa do Mundo de 2014. Dados obtidos pelo Estado mostram que o orçamento brasileiro para preparar os estádios para o evento supera não apenas o das quatro Copas passadas, mas também é mais elevado do que a previsão de gastos de quase todos os candidatos para os Mundiais de 2018 e 2022. A única proposta com custo mais elevado de gastos em arenas é a da Rússia, para a Copa de 2018.

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Na França, em 1998, o custo final dos estádios foi de pouco menos de US$ 2,6 bilhões. Quatro anos depois, na Coreia do Sul e no Japão, os gastos totais chegaram a US$ 2 bilhões. Em 2006, a Alemanha investiu US$ 1,8 bilhão em seus estádios. Na época, a Fifa declarou que nunca uma Copa havia ocorrido em condições tão perfeitas. A Copa não foi isenta de problemas. O estádio de Munique chegou a ser alvo de um escândalo de corrupção. Mas os dois chefes do grupo que comandava o desvio de dinheiro foram presos antes mesmo de começar o Mundial. Neste ano, na África do Sul, os custos dos estádios atingiram US$ 2,2 bilhões. A previsão era de que a Copa de 2010 teria gasto de US$ 1,1 bilhão em estádios. Acabou com o dobro. Os dados foram todos obtidos por meio de documentos oficiais de cada um dos eventos, em suas contas apresentadas à Fifa.

Para 2014, no Brasil, a estimativa inicial era de que os estádios não teriam custo superior a R$ 3,7 bilhões. A CBF ainda tinha prometido que não haveria dinheiro público. Hoje, o valor já é superior a R$ 5,07 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões. Um dos argumentos é de que seria natural que, a cada quatro anos, o custo de realizar uma Copa seja elevado. A questão é que os candidatos para as próximas Copas depois de 2014 também apresentam projetos mais econômicos que o do Brasil. Em grande parte deles, o custo mais baixo é resultado de anos de investimentos nas arenas esportivas. Para 2018, documentos oficiais dos candidatos mostram custos relativamente reduzidos. Na candidatura de Espanha e Portugal, a estimativa é de que serão necessários US$ 2 bilhões. Na Inglaterra, US$ 2,5 bilhões. Um dos argumentos é de que, em ambos os países, os estádios já estão praticamente prontos e não haveria necessidade de grandes reformas.

Para inspetores da Fifa, o Santiago Bernabéu, o Camp Nou e mesmo o estádio do Benfica em Lisboa precisariam apenas de "retoques" para ficarem adequados ao Mundial. Em Londres, o governo já se antecipou, derrubou o antigo estádio de Wimbledon e uma nova arena já apareceu em seu lugar.

Ainda assim, os custos no Brasil para a construção dos estádios estão acima dos de outros países. Na Holanda e Bélgica, por exemplo, o orçamento para os estádios em 2018 é de US$ 2,4 bilhões. Ainda assim, a candidatura conjunta dos holandeses e belgas promete construir sete estádios novos nos dois países.

O mais caro de todos e que supera até o Brasil é o da Rússia, com gastos planejados para os estádios de US$ 3,8 bilhões, alimentado pelo dinheiro de magnatas e dos lucros do petróleo. O país, porém, vive uma situação similar à do Brasil. Seus estádios, salvo o de Moscou, são ainda dos anos da União Soviética e passarão por uma remodelação total caso a Rússia ganhe o direito de receber a Copa de 2018.

Para a 2022, as estimativas também são inferiores às que o Brasil apresenta. A Austrália estima que precisará de US$ 2,2 bilhões para preparar seus estádios. Isso tendo já organizado a Olimpíada de Sydney em 2000.

No Japão, que organizou a Copa de 2002, a previsão é de investimento de no máximo mais US$ 1,3 bilhão para o Mundial vinte anos depois. Quem empata com o Brasil em custos seria o Catar, que quer ser o primeiro país árabe a ter uma Copa. O emir local promete destinar US$ 3 bilhões às obras dos estádios para 2022.

Um outro estudo também mostra que o custo de cada assento nos estádios brasileiros é mais alto que o de Copas passadas. Segundo a consultoria Crowe Horwath, cada assento em 2006 na Alemanha custou o equivalente a R$ 7,1 mil. Na África do Sul, neste ano, o preço subiu para R$ 7,5 mil. Na Fonte Nova, por exemplo, cada um custará em média R$ 11,8 mil.

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