Brasil vê de novo filme de uma derrota para Cuba no vôlei

A crônica de um confrontoanunciado, Brasil x Cuba na final do vôlei feminino doPan-Americano, terminou com a crônica de uma decepçãoanunciada, a vitória das cubanas. E a reação dos atores desseespetáculo esportivo não fugiu do esperado. As jogadoras brasileiras reagiram com desprezo às perguntasmais óbvias, como "por que o time perdeu?" ou "qual osentimento após a derrota?". "Todo mundo queria o ouro, mas a prata não é de se jogarfora", disse a oposto brasileira Sheila, que conquistou a vagade titular da equipe durante o Pan. "A medalha foi importante, o povo brasileiro precisa depódio", acrescentou a atacante Waleusca. A meio-de-rede Fabianafoi ainda mais simples em sua resposta. "Acontece." Na entrevista coletiva dos treinadores e das duas capitãesapós a entrega de medalhas, dava para se cortar a tensão comuma faca. "Penso que nossa equipe tratou de jogar, resolvemos todasas interrogações que elas nos apresentaram, sabíamos que íamosenfrentar uma das melhores equipes do mundo, uma das maiscompletas, e com essa convicção fomos à luta", disse a capitãcubana Yumilka Ruiz. "Foi uma partida muito emotiva, elas eram favoritas e porisso fomos obrigadas a lutar muito e ter muita coragem paraganhar", acrescentou o técnico cubano Antonio Perdomo,lembrando que, para ele, o segredo da vitória foi a defesacubana, especialmente nos pontos decisivos do jogo. O técnico brasileiro, José Roberto Guimarães, não seconvence de que o jogo terminou de maneira regular. "A última bola foi fora, ela caiu ao meu lado, foi inteirapara fora e depois correu pela linha. O bandeirinha não viu,acho que ele apitou pela televisão. O jogo foi decidido pelobandeirinha", afirmou o treinador brasileiro na entrevista. Zé Roberto respondeu com rispidez às perguntas que buscavamentender porque a seleção brasileira não conseguiu fechar ojogo quando teve chance. "Não respondi direito essa pergunta porque acho elaimbecil", disse o treinador em um desses momentos de irritação. Cuba é o grande carrasco do vôlei feminino do Brasil desde1996, quando a seleção brasileira foi eliminada da finalolímpica de Atlanta pelas cubanas e as atletas se envolveramnuma briga campal no local de entrevistas após terem sedesentendido na quadra. APLAUSOS O técnico de Cuba se assustou com tantos questionamentossobre o fracasso brasileiro. E pediu a palavra. "Vejo muitasperguntas sobre o Brasil, não entendo. Foram simplesmente doispontos, qualquer uma das equipes podia ter ganho. Uma equipeque perde um campeonato por essa diferença não mereceperguntas, merece aplausos", disse ele, puxando as palmas daplatéia de jornalistas. Logo em seguida, Perdomo lembrou que a atual equipe de Cubanão está pronta para garantir uma medalha olímpica. "É nossaintenção ganhar uma medalha olímpica, mas ainda temos quetrabalhar muito por ela." Durante toda a entrevista coletiva, a capitã brasileira,Fofão, se manteve de cabeça baixa, com os olhos vidrados delágrimas. "É assim que uma jogadora de caráter se comporta, nãoesperava nada dela que não fosse isso", disse Zé Roberto. A seleção brasileira de vôlei feminino terá quatro dias defolga para curar a ressaca da derrota e eventualmente curtir oPan. "Na terça-feira, começamos o treinamento para o GrandPrix", acrescentou o treinador, para quem a derrota da equipefaz parte do esporte do vôlei e aconteceu porque o ataque e obloqueio de Cuba foram melhores do que os do Brasil. O público que se submeteu ao comando de animadoresprofissionais durante toda a competição de vôlei dos Jogos atétem o direito de desconfiar que a sua seleção feminina amarelanos momentos decisivos, mas não pode culpar só o time. Ostorcedores foram muito menos barulhentos no tiebreak do que nafase final dos terceiro e quarto sets da decisão

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