Fábio Motta/Estadão
Silvana busca patrocinadores para continuar no Circuito Mundial Fábio Motta/Estadão

Brasileira busca visibilidade para as mulheres no surfe

Silvana Lima conta que pouca coisa mudou para as meninas depois de Medina

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2015 | 17h00

Desde a conquista do título mundial de Gabriel Medina, em dezembro passado, o Brasil assumiu um posto de destaque no circuito de surfe mundial. Nesta temporada, Adriano de Souza, o Mineirinho, e Filipe Toledo ocupam a primeira e terceira posições do ranking, respectivamente, e atribuem a "inspiração" para a boa fase ao título do companheiro do litoral paulista.

Os holofotes, porém, não chegam ao surfe feminino. "Para o meu lado nada mudou, nem para as outras meninas", reclama a cearense Silvana Lima, que mergulha de cabeça à procura de um patrocínio principal que permita que ela se mantenha focada no circuito, mas não tem sido fácil.

"A vitória do Gabriel serviu para atrair a atenção da mídia e do público. Hoje, eu dou mais entrevistas, mas é só isso", comenta a surfista brasileira, de 30 anos de idade.



Silvana foi vice-campeã mundial em 2008 e 2009 e este ano é a brasileiramelhor colocada no ranking, na nona posição. "Eu estou na melhor fasedo meu surfe e acredito que sou a única brasileira brigando pelo títulomundial, e nada de patrocínio”, afirma. “Se você for ver, nenhum dosatletas masculinos entrou no circuito sem patrocínio principal."

Neste ano, Silvana ainda se destacou ao obter a nota máxima, 10, em duasdas três etapas disputadas na Austrália. Porém, sua esperança desensibilizar os empresários está na etapa do Rio, que ocorre desde o dia12 deste mês. "Acho que já demonstrei estar merecendo mais apoio. Jáganhei vários 'não'. Outros estão oferecendo pouca coisa, que não bastapara pagar os custos da gente. Então prefiro ficar sem do que ganharpouca coisa."

As viagens de Silvana têm sido bancadas por uma ajuda de custo da LigaMundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês) e a venda de filhotes debuldogue francês, que ela cria. O dinheiro tem servido para custear odeslocamento para competir, mas ela reclama que tem sido insuficientepara bancar os treinamentos e outras despesas.

"Não consigo focar só no surfe. Disputo bateria por bateria pensando empagar o cartão no fim do mês. Porque a vida do surfista não é só viajar.Tem de ter surf trip, custos da academia, personal trainer, as contasde casa", lamenta. "É preciso acabar com a ideia de que surfe é coisa devagabundo, é preciso de muito trabalho."

Silvana venceu o WQS em 2014, uma espécie de divisão do acesso à elite,mas para que pudesse se manter na competição foi obrigada a vender seuapartamento no bairro Recreio dos Bandeirantes, no Rio, e um carro KiaSportage. Além de se desfazer dos bens, ela também decidiu se mudar paraa Bahia, após oito anos no Rio. Segundo ela, as condições do mar baianosão mais parecidas com as demais sedes do circuito.

A brasileira também critica o tratamento dado à competição feminina nasetapas que são compartilhadas com os homens. "A organização bota asmeninas para disputar quando a condição das ondas está menor (em geral,no fim da tarde)", contou. Na última sexta-feira, por exemplo, a disputada segunda fase das mulheres foi adiada para o dia seguinte para quepudesse ocorrer a quarta e a quinta fases do torneio masculino, comintenção de aproveitar a qualidade das ondas no dia. "Já nos acostumamoscom isso."

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Otimista, Gabriel Medina espera reagir em etapa nas Ilhas Fiji

Atual campeão mundial de surfe não tem bom início de temporada

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2015 | 16h48

Ainda sem ter vencido nesta temporada da Liga Mundial de Surfe (WSL), Gabriel Medina espera retomar a velha forma no próximo evento, que será disputado nas Ilhas Fiji no mês de junho. Ele conta com o bom retrospecto na próxima sede do circuito, na qual se saiu vitorioso no ano passado. "Conheço bem as ondas de Fiji. Dá para dizer que são algumas das minhas favoritas."

Mas antes de viajar para o Pacífico Sul o atual campeão do mundo vai aproveitar o tempo que ganhou com a eliminação na etapa carioca do circuito para descansar e se preparar em Maresias, no litoral paulista.

A queda precoce de Medina na etapa do Rio frustrou as centenas de fãs que lotaram a praia da Barra da Tijuca e impediu o brasileiro de avançar no ranking. Ao ser eliminado na terceira fase do torneio, ele ficou na 16ª posição - somou apenas 1.750 pontos e vai para a quarta etapa com 9.200. Com isso, o atual campeão continuará afastado dos dez primeiros da classificação.

Mesmo assim, Medina não parece estar preocupado. E preferiu destacar a boa fase dos outros brasileiros. "Acho que nós temos mais vontade. Sabemos o sacrifício que passamos para chegar na elite. Todos os outros brasileiros também podem conseguir o título, no ano passado eu mostrei que é possível."

O surfista negou estar pressionado por causa dos resultados ruins. "Aqui no Brasil estou me sentindo bem, podendo ficar mais tempo com a minha família."

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