Andrew Nichols/WSL
Andrew Nichols/WSL

Brasileira 'há 14 meses', surfista já sonha com medalha olímpica

Tatiana Weston-Webb compete pelo Brasil desde abril de 2018 e está praticamente garantida em Tóquio-2020

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 04h30

A entrada do surfe na Olimpíada de Tóquio, em 2020, fez o Brasil ter uma nova representante no Circuito Mundial desde abril de 2018. Tatiana Weston-Webb, que antes representava o Havaí, passou a competir pelo país onde nasceu. Na Olimpíada, o Havaí não é considerado uma nação esportiva como no surfe. Então, entre poder representar os Estados Unidos ou o Brasil, Tatiana decidiu pela bandeira verde e amarela.

Filha de mãe brasileira e pai inglês, Tatiana nasceu em Porto Alegre, mas com apenas dois meses mudou-se com a família para o Havaí. "Eu amo o Brasil, é minha segunda casa", diz a surfista de 23 anos, em entrevista ao Estado.

Como o Brasil tem poucas surfistas de alto nível, a entrada de Tatiana foi boa para ambas as partes. Enquanto ela enfrenta uma concorrência menor do que seria se estivesse representando os Estados Unidos, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) vislumbra oportunidade de medalha no surfe feminino.

O principal método de classificação à Olimpíada é o ranking do Circuito Mundial, que, se terminasse hoje, garantiria Tatiana em Tóquio no ano que vem. Atualmente, ela é a oitava colocada, atrás de duas australianas e cinco americanas. Como cada país poderá ter apenas duas representantes na Olimpíada, ela só ficará fora se for ultrapassada por quatro surfistas de outras nacionalidades. Algo tão improvável que Tatiana já pensa até em conquistar uma medalha em 2020. "Já imaginei isso. É um sonho chegar lá (pódio). Estou lutando muito", afirma.

Como passou a representar o Brasil, Tatiana começou a receber apoio do Comitê Olímpico do Brasil. Ela agora tem um técnico à disposição para acompanhá-la durante as etapas do Circuito Mundial e ajuda financeira para os gastos com viagens e hospedagens. O COB também oferece o centro de treinamentos no Rio de Janeiro, mas ela ainda não teve tempo de trabalhar lá. "Estão me ajudando bastante. Estamos lutando para criar um time brasileiro bem forte", comemora.

Além de evoluir no surfe, Tatiana tem outro objetivo até a Olimpíada: dominar a língua portuguesa. Ela ainda "enrosca" em algumas palavras, mas não perde o bom humor: "É mais difícil falar português do que surfar (risos). Estou tentando melhorar a cada dia".

Confira outras respostas da surfista:

Desde que passou a representar o Brasil, tem recebido mais apoio de torcedores?

Eu já recebia um carinho grande aqui, porque a galera já me conhecia pelo meu programa no Canal Off. Sei que a torcida está comigo no Brasil, é um sentimento muito bom. Competir aqui no Brasil é a melhor coisa, porque eu saio da água e está todo mundo gritando meu nome, algo que só acontece no Brasil mesmo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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A Copa do Mundo de Futebol Feminino chamou atenção para a diferença de salários entre homens e mulheres. No surfe, a WSL equiparou os valores de premiação este ano. Como vê isso?

A gente nunca acreditou que ia chegar nesse nível de salário, mas chegou e estou muito feliz. Isso ajuda bastante, porque a vida de atleta não é longa. É bem importante para a gente conseguir viver depois. É muito importante, dá para ver que aqui no futebol não está igual. Espero que um dia fique, porque todas as meninas merecem muito, elas lutam como os homens.

Acredita que a entrada na Olimpíada vai ajudar os surfistas na busca por patrocinadores?

Acho que sim. Os patrocinadores estão vendo que a Olimpíada vai fazer todo mundo olhar para o surfe, então vale a pena investir nas atletas.

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