Brasileiras levam bronca em vitória sofrida no futebol

O "salto alto" das jogadorasquase provocou um tropeço à seleção de futebol feminino doBrasil. Numa tarde de segunda-feira em que Marta esteve abaixodo que vinha apresentando neste Pan-Americano, a equipeprecisou de dois gols de bola parada no segundo tempo paraderrotar o México por 2 x 0 e se garantir na final dacompetição. Na outra semifinal do Pan, os Estados Unidos venceram oCanadá por 2 x 1 e serão o adversário do Brasil. Se dentro de campo a situação foi contornada com aclassificação, fora dele o técnico Jorge Barcellosdemonstrou-se insatisfeito com a postura de algumas jogadoras,entre elas estariam Marta, Daniela Alves e Rosana, autora dosgols da vitória brasileira. O desfile que a equipe apresentavaaté então na competição saiu um pouco do rumo. "Não era hora de salto alto, não viemos aqui pra darespetáculo, e sim conseguir os três pontos e chegar na final.Não interessa se vai ganhar de 1 x 0, não quero que tenha saltoalto, já temos vários exemplos que deram errado", afirmouBarcellos a jornalistas em entrevista após a partida. Vindas de quatro goleadas nos jogos anteriores, incluindoos 7 x 0 sobre o Canadá nas quartas-de-final, a seleçãobrasileira tentou algumas jogadas de efeito durante a partida edeixou o técnico bastante irritado. A falta de objetividadecausou um domínio ineficiente da equipe, que tinha a posse debola mas não chegava a ameaçar com perigo. A situação levou o treinador a reclamar com as jogadoras novestiário durante o intervalo, e a insatisfação aindarepercutiu na entrevista de Barcellos depois do jogo, quandoele reclamou abertamente da postura das jogadoras. O treinador recusou-se a especificar quais jogadoras teriamentrado de "salto alto", mas pelos lances citados por ele comoexemplos indicou que Marta, Rosana e Daniela Alves estariamentre elas. "Quando você entra em campo com uma proposta de darespetáculo é uma coisa, é diferente de entrar para vencer efazer alguns lances. Algumas jogadas eu não concordo, você nãopode deixar de cruzar e dar uma chilena (drible passando a bolapor cima da rival) se tem três jogadoras na área esperando.Outra coisa que não pode é chegar na linha de fundo e dar umcorte pra ver a torcida gritar", afirmou Barcellos. Rosana, que deu um lençol de lambreta em outra partida doPan, discordou publicamente do treinador. O nervosismo, e nãoos dribles, foi considerado por ela como motivo pela falta degols na primeira etapa da partida. A lateral-esquerda acabou garantindo a vitória brasileiracom dois gols no segundo tempo, o primeiro numa cobrança defalta no ângulo e o segundo de cabeça, após cobrança deescanteio de Marta. "Não vejo como salto alto, talvez uma ansiedade maior doque poderia acontecer por se tratar de um jogo de semifinal, émais complicado porque você não pode ter erro. Mas salto altonão, porque nós sabemos o quanto é importante vencer", disseRosana, diante do treinador que poucos minutos antes haviareclamado da postura da equipe no primeiro tempo. MARTA SAI COM GELO A meia-atacante Marta, que pela primeira vez passou embranco desde que estreou no Pan do Rio, deixou o estádio com osemblante abatido e uma bolsa de gelo na canela esquerda.Segundo ela, não seria nenhuma lesão grave, apenas uma pancadasofrida durante a partida. Barcellos garantiu que a jogadora estará bem para a decisãode quinta-feira e previu que Marta voltará a jogar bem noMaracanã, como fez com cinco gols marcados contra ascanadenses. "A Marta é um ser-humano como outro qualquer, ela podeatuar uma partida bem e outra não. Até porque taticamente elafez o que eu queria. Tenho certeza que a Marta vai arrebentarnessa final, mas ninguém mantém uma regularidade sempre. Nafinal, com certeza ela vai brilhar, como sempre brilha."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.