Brasileirinha empolga público, mas é eliminada na canoagem

Caçula da delegação brasileira em Londres com apenas 16 anos, Ana Sátila leva locutor ao delírio

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h03

Ana Sátila, caçula da delegação brasileira em Londres com apenas 16 anos, foi eliminada ontem dos Jogos Olímpicos. Mas não sem antes empolgar a torcida inglesa, levar o locutor ao delírio e receber rasgados elogios de suas concorrentes e dirigentes. Ana competia na canoagem. Para passar às semifinais, precisava ficar entre as 15 melhores. Ficou na 16.ª posição. Agora, coloca suas fichas em 2016 e avisa: quer o ouro no Rio.

Filha de um pedreiro de Mato Grosso que financiou quase todo seu treinamento, Ana é um retrato da superação em um esporte que só agora começa a receber ajuda do governo. Sua primeira descida acabou sendo um desastre. "Estava muito nervosa. Só ouvia a torcida gritando e não conseguia me concentrar", disse. Terminou o primeiro trajeto na última posição.

Duas horas depois, voltou para o canal e surpreendeu. Levou os 11 mil torcedores à loucura e foi muito aplaudida ao completar a prova. O locutor também se contagiou, descrevendo a descida de Ana como "incrível para uma garota de 16 anos". Ela era a mais nova entre todos os atletas da modalidade e uma das mais jovens entre todas as delegações. Ao cruzar a linha final, a brasileira dava murros no barco de alegria e fazia o sinal da cruz. "Só fiz o que eu sabia fazer. Fiquei muito feliz. Não sabia o que fazer quando vi que tudo havia corrido bem", disse mais tarde.

A empolgação era tanta que seu técnico chegou a anunciar que ela estava classificada para a semifinal, já que naquele momento ela aparecia em 12.º na classificação. Ana comemorou e deu entrevistas como semifinalista. Momentos depois, outras atletas acabaram superando-a e, por milésimos, ficou de fora. O que a tirou da competição foi o fato de ter esbarrado em uma das balizas, o que a fez ser punida com 2 segundos no tempo.

Ana, ainda assim, não escondia sua satisfação e deve ver sua classificação no ranking mundial ter uma considerável melhora. Hoje, está na 76.ª posição. "Vim para aprender e levar essa experiência para o Rio. Lá, vou querer o ouro", disse. Entre ela e a melhor do mundo são apenas dez segundos de diferença. "Ana é um exemplo para toda uma geração", disse João Tomasini, presidente da Confederação Brasileira de Canoagem.

Além de experiência, Ana sai de Londres com mais recursos. Por ser agora uma atleta olímpica, vai ver quase triplicar o pagamento que receberá do Bolsa Atleta, programa do governo. A partir de agora, terá uma ajuda de R$ 5 mil, incluindo dinheiro do BNDES que comprou seu barco e outros 200 para a modalidade no Brasil. "Vamos trabalhar muito para chegar em 2016 com chances reais de medalha", afirmou Ana, com rosto de menina e ambições de gente grande.

Sua ida aos Jogos chegou a fazer o prefeito de sua cidade, Primavera do Leste, planejar uma ida até Londres, mesmo depois de muita controvérsia com a família da garota por não apoiá-la. Mas as eleições municipais o impediram de fazer a viagem. Seu pai também não pôde ir à Grã-Bretanha. Mas foi por questão de dinheiro.

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