Brasileiro 2011 teve 9 milhões de ingressos encalhados

Média de ocupação dos estádios durante a disputa da Série A foi de apenas 40%. Atrair torcedores é o principal desafio

/ W.V., O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h05

Professores e especialistas em propaganda costumam definir marketing como o processo de identificar e atender às necessidades e desejos de um determinado público alvo. Quando se traz esta definição para o ambiente no qual o clube de futebol representaria uma empresa e a torcida seriam seus clientes, percebe-se que o trabalho apenas engatinha.

Dados relativos ao Campeonato Brasileiro da Série A do ano passado indicam que a ocupação média dos estádios de futebol ficou em 40%. À primeira vista, o número é reconhecidamente baixo, mas não assustador. No entanto, quando se analisa as consequências, percebe-se o tamanho do problema.

"Estamos falando de 60% de lugares vazios, o que significa que, durante todo o Brasileiro, aproximadamente 9 milhões de ingressos encalharam. Imagina quanto os clubes estão perdendo só com bilheteria", comentou o consultor Fernando Pinto Ferreira.

Para realçar ainda mais o absurdo dos números, o especialista recorre a exemplos europeus. "Mesmo em crise, a ocupação dos estádios nos principais centros da Europa fica acima dos 80%", afirmou. "Na Inglaterra chega a 93%. E olha que não estamos falando só dos grandes clubes. Mesmo os que estão na parte de baixo da tabela tem considerável presença de público."

Ferreira reconhece que os clubes brasileiros têm conseguido incrementar sua receita com novas fontes, como o sistema de pay per view. "Mas não se pode encarar o pay per view como concorrente do estádio. Na Europa, nos Estados Unidos, o pay per view também existe e os estádios e arenas continuam lotados."

Respeito e qualidade. A lição que fica é que os clubes ainda não aprenderam a tratar bem e oferecer produtos/eventos de qualidade a seus torcedores, ou melhor, clientes. "Não vejo outra solução que não seja fazer com que as famílias ocupem o espaço que hoje é das torcidas uniformizadas", afirmou Ferreira. "Mas para que isso aconteça, é preciso que se ofereça conforto, segurança, opções de entretenimento de qualidade."

O exemplo simples é o Internacional. Com uma simples reforma e ampliação dos banheiros do Beira-Rio, o Colorado conseguiu aumentar consideravelmente a frequência de mulheres no estádio. Respeito e qualidade todo mundo gosta.

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