Beto Monteiro/Divulgação
Beto Monteiro/Divulgação

Brasileiro André festeja 'teimosia' e sua maior conquista

Ele faturou a prata no salto em distância no Mundial de Atletismo Paraolímpico

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

De atleta olímpico mediano a medalhista mundial paraolímpico. Entre os dois fatos, um acidente na pista de atletismo mudou a vida de André Luiz de Oliveira, de 38 anos, que conquistou a medalha de prata no salto em distância em sua 1.ª participação em Mundiais. O saltador participa da classe F44, em que amputados são a maioria. André tem ambas as pernas, mas perdeu quase todos os movimentos do lado esquerdo após grave lesão no joelho. Em 1997, aos 25 anos, rompeu totalmente nervo e ligamentos enquanto disputava torneio da Federação Paulista de Atletismo, em Americana, quando tentava índice para o Mundial que seria realizado naquele ano - nunca tinha conseguido vaga para seleções brasileiras.

"O caso do André é para ser levado a congressos médicos e já estamos trabalhando nisso", diz Ciro Winckler, diretor do atletismo do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). "Ele recebeu um diagnóstico definitivo, mas nos mostrou as possibilidades do esporte. Hoje, contrariando tudo, compete em alta performance."

Eis o diagnóstico: além do fim da carreira, estaria fadado a andar, para sempre, com auxílio de bengala. "Ouvir isso acaba com qualquer pessoa. Mas tinha uma coisa dentro de mim que falava: bengala, não. Fiz fisioterapia, encarava as sessões como se fossem treinos", conta André, que passou por três cirurgias e lutou mais de dois anos na reabilitação. "Eu andava mancando, mas andava. Me dei por satisfeito."

Ex-atleta, André trabalhou como manobrista, motorista e vendedor de duas grandes empresas de bebidas. Formou-se técnico em reabilitação e concluiu a faculdade de Publicidade e Propaganda. Não se afastou do atletismo: passou a atuar como árbitro.

E, arbitrando uma competição paraolímpica em 2004, foi descoberto. "O pessoal do CPB me viu, perguntou o que tinha ocorrido e eu expliquei. Então me disseram que era quase certo que eu poderia ser encaixado em alguma classe." Em 2005, tornou-se atleta paraolímpico e encarou a caixa de areia do salto em distância. Hoje festeja boa sequência de resultados: bronze no salto em distância no Para Pan do Rio (2007), prata no revezamento 4 x 100 m na Paraolimpíada de Pequim (2008) e, em Christchurch, comemora sua principal conquista. A prata veio com o salto de 6,22 m - o alemão Marcus Rehm, o campeão, fez 7,09 m, recorde mundial.

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