Rick Osentoski/ USA Today Sports
Rick Osentoski/ USA Today Sports

Primeiro brasileiro na final da MLB cita 'destino e oportunidade'

'Muito orgulhoso', Paulo Orlando defende o Kansas City Royals

Rafael Pezzo, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 16h13

Na última sexta-feira, Paulo Orlando entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a garantir presença na final do maior torneio de beisebol do mundo, a World Series, grande decisão da MLB, nos Estados Unidos. Defendendo o Kansas City Royals, o jogador de campo externo terá pela frente o New York Mets em um série melhor de sete jogos, que começa nesta terça-feira. 

"É um orgulho. Na vitrine do beisebol, grande competição do mundo e ter um brasileiro representando. Acho que é destino e oportunidade. Poderia ser outro jogador, claro, mas penso mais que é o momento certo, na hora certa, tudo certo", respondeu o camisa 16 em entrevista exclusiva ao Estado

Paulo Orlando chega à final apenas três anos depois da estreia do primeiro brasileiro na MLB, Yan Gomes, em 2012. Sua presença é assunto entre seus companheiros de time, que questionam sobre sua fama no Brasil. "Eles falam 'cara você é brasileiro, representando seu País aqui na World Series, deve estar repercutindo bastante, vários pedidos de entrevistas'. Respondo que tem mesmo. Tentamos mudar o cenário no Brasil, ter o beisebol como um esporte grande e um dos mais praticados."

Apesar de não ser titular, Orlando foi bastante acionado durante o ano. Das 162 partidas do time na temporada regular, ele esteve presente em 86 delas. Nos playoffs, o cenário é parecido, com participação em sete das 11 partidas da fase mata-mata. A situação é clara para o brasileiro, que sabe seu papel no time. 

"Desde o começo do ano eles estavam com um plano de trazer um jogador extra caso um titular sinta dores. Então minha função aqui é esta. Sei bem o que tenho que fazer e estou preparado para jogar na defesa. Se o placar estiver mais largo, também entro para correr ou rebater", explica Paulo Orlando. 

Antes de chegarem à World Series, o Kansas City Royals derrotou o Toronto Blue Jays por 4 jogos a 2. Já os Mets varreram o Chicago Cubs por 4 a 0 e tiveram maior tempo de descanso. Mas isso não é exatamente uma vantagem, já que pode quebrar o ritmo de jogo. "Alguns jogadores se sentem bem à vontade quando não temos esses dias de folga, uma rotina mais parecida com a temporada regular (quando há jogos praticamente todos os dias). Outros preferem repousar. Eu penso que é uma boa sempre estar na ativo, no ritmo das partidas."

Da estreia de Yan Gomes, em 2012, à primeira partida de Paulo Orlando, neste ano, o Brasil também teve André Rienzo, que começou na MLB em 2013. Os três são amigos e trocam mensagens em um grupo de WhatsApp. "Sempre conversamos, até quando estávamos na temporada regular, também com outros jogadores dos times de baixo (categorias de base). Para mim é um orgulho estar passando por tudo isso e ainda compartilhar com eles, mesmo que por mensagens de texto."

Ao contrário, por exemplo, do futebol brasileiro, onde a concentração é intensificada nos momentos de decisão dos campeonatos, Paulo Orlando dorme em casa, com a esposa. Nos jogos fora de casa, ela também o acompanha, já que cada jogador tem seu próprio quarto. "Posso descansar com a família. O que importa é quando vamos para o estádio, na hora do treino e, depois, no jogo." Sua filha, Maria Eduarda, de seis anos, ficou no Brasil, já que está em período escolar. 

Os Royals foram vice-campeões na temporada passada, quando perderam a Série Mundial para o San Francisco Giants, por 4 jogos a 3, sendo a última partida em Kansas City. Esta foi a primeira final desde 1985, ano do último título do clube. Apesar do jejum e da derrota em 2014, Paulo não vê uma pressão para erguer o troféu na atual temporada. 

Segundo o brasileiro, "é ao contrário. Depois do ano passado, o time e os fãs têm apoiado muito. E isso de seca não tem tanto no beisebol. Claro que todos querem um título, mas estar nos playoffs já é um grande momento. Tem times que estão há cem anos sem ganhar nada. Agora é a hora do Kansas City, que colhe os frutos dos últimos cinco, dez anos, que apoiou bastante as Ligas Menores".

Paulo Orlando foi contratado pelo Kansas City Royals em 2008 e, até sua primeira partida na MLB, em abril deste ano, ele disputou 1058 partidas nos times menores da franquia. Ainda em 2015, o brasileiro foi enviado por duas vezes aos afiliados, mas garantiu sua vaga nos playoffs em agosto. 

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