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Reginaldo Leme
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Brasileiro de Marcas

O ingresso da Renault no Campeonato Brasileiro de Marcas, juntando-se a Honda, Toyota, Ford e Chevrolet, está sendo recebido não apenas como uma quinta marca a acreditar numa competição que atrai alguns dos melhores pilotos do País. É que no caso da Renault, o mundo do automobilismo sabe tratar-se da montadora que atualmente mais investe em categorias de acesso, entre as quais a Renault 2.0 e Renault 3.5 - que, aliás, já abriu as portas da F-1 para gente como Sebastian Vettel. E se isso for o embrião de uma categoria de monoposto, que é exatamente o que falta para o Brasil retomar seu caminho de formador de talentos?

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo;Reginaldo Leme; Campeonato Brasileiro de Marcas; Fórmula 1

20 de dezembro de 2014 | 02h00

O Brasileiro de Marcas vai para o quinto ano, composto de oito etapas, todas elas disputadas junto com a Stock Car. É a primeira vez que o Brasil receberá eventos de fins de semana compostos de várias corridas de categorias diferentes, incluindo em alguns desses fins de semana a Fórmula-3, a Mercedes Challenge e provas do chamado Campeonato Brasileiro de Turismo. No Marcas as equipes têm apoio oficial de fábrica e a disputa é muito equilibrada, não só entre pilotos (10 vencedores em 16 provas), mas também entre as montadoras (este ano a campeã foi a Toyota depois de dois títulos seguidos da Honda). O regulamento é feito de forma a garantir o equilíbrio até a rodada final, obrigando os melhores colocados de cada prova a correr a seguinte com lastros de peso diferenciados e tem ainda a inversão do grid dos oito primeiros colocados para a segunda corrida das rodadas duplas - o que, por si, só já provoca uma maior distribuição das vitórias.

Descontando o fato de que o mercado está longe de favorecer a busca por patrocínios, tecnicamente o automobilismo brasileiro está em um bom momento com suas três categorias de carros de turismo, embora o conceito da Stock seja diferente. Ainda tem a Fórmula-Truck, com seu público específico, grande e apaixonado, e uma geração de kartistas muito bons. Dois fins de semana atrás, fui ao kartódromo da Aldeia da Serra assistir a uma competição do Campeonato Paulista. Fiquei surpreso ao ver cerca de uma centena de pilotos disputando uma corrida atrás da outra, das 8 da manhã às 10 da noite. Tão concorridas quanto as competições na Aldeia são também as do kartódromo da Granja Viana e Interlagos. Só falta mesmo uma categoria de monoposto que acolha o garoto recém-saído do kart. É aí que reside a minha esperança de que o que a Renault está fazendo agora, levando quatro modelos Fluence a correr no Brasileiro de Marcas, é bem mais do que botar um pezinho no automobilismo. E quem não tem saudades dos bons tempos da F-Renault e Copa Clio? Uma boa parte dos melhores pilotos da geração atual da Stock Car veio daí.

Nova Ferrari. A renovação que a Ferrari está planejando para ter uma equipe competitiva para receber Sebastian Vettel é muito maior do que a troca de Marco Mattiacci, Nikolas Tombazis e Pat Fry, além do próprio presidente Luca di Montezemolo. O alvo é tirar muita gente boa de equipes rivais, e o primeiro, já confirmado, é Jock Clear, que foi engenheiro de performance de Lewis Hamilton na Mercedes em 2014. Maurizio Arrivabene, que pertenceu à equipe, mas como executivo da Philip Morris até muitos anos depois da proibição do tabaco na F-1, hoje está na direção geral.

A personalidade de Arrivabene tem tudo a ver com a imagem de austeridade que a Ferrari procura. O engenheiro Andrea Stella, um dos poucos italianos que restavam no comando, foi junto com Alonso para a McLaren, mas se não tivesse ido por sua própria vontade nesta nova Ferrari não haveria lugar para ele, como não houve também para Nikolas Tombazis e Pat Fry. Vettel gostaria de ter Adrian Newey como sempre teve na Red Bull, e recentemente até se falou dessa possibilidade. Isso não vai acontecer, pelo menos a curto prazo. Mas o certo é que Vettel vai pegar um pessoal que não é o de Alonso. Sorte dele se for tão eficiente quanto, porque o que os engenheiros e o talento do espanhol conseguiram fazer com um carro tão fraco foi um verdadeiro milagre.

É como o San Lorenzo, do Papa Francisco, ganhar o Mundial de Clubes hoje em cima do Real Madrid.

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