Alaor Filho/AGIF/COB
Alaor Filho/AGIF/COB

Brasileiro do levantamento de peso quer ficar entre os seis melhores

Fernando Saraiva Reis fala sobre as dificuldades do esporte, que tem poucos praticantes no País

Alessandro Lucchetti, Enviado Especial, e Nathalia Garcia, SP, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 14h26

LONDRES - Fernando Saraiva Reis, do levantamento de peso, está muito à vontade no Crystal Palace. A cadeira aguenta seus 142 quilos, e ele responde a todas as perguntas com paciência. Mas os repórteres insistem em saber por que ele escolheu um esporte tão difícil, em que os praticantes são tão poucos no Brasil, e a estrutura, quase nenhuma. Reconhece que era ruim jogando bola. "Mas se eu quisesse facilidade na vida, iria jogar futebol".

 

Depois de alguns segundos, volta ao jeito bonachão. Em pouco mais de dois anos, engordou o equivalente a uma pequena ginasta: 40kg. Tomou a decisão em conjunto com o técnico, o cubano Luis Lopez. Tem 1,85m e sofria para se enquadrar no limite de peso da categoria dos pesados. Agora, na categoria dos superpesados, sua preocupação é oposta: quer engordar cada vez mais, e transformar boa parte dos novos tecidos adiposos em músculo.

 

Campeão dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, vai se dar por satisfeito se conseguir ficar entre os seis melhores em Londres. Lopez tem bons olhos até para a oitava colocação.

 

O COB, que nada em dinheiro, promete criar uma sala para o levantamento de peso no Complexo Maria Lenk. É pouco, e tanto Saraiva como Lopez consideram que o Rio não é o lugar mais adequado para criar bons levantadores de peso brasileiros. "Nos países do Leste Europeu, que são os que dominam o esporte, os Centros de Treinamento são sempre em localidades afastadas. O Rio oferece muitas distrações, muitas mulheres. Não é o ideal", pondera o cubano.

 

Saraiva concorda, mas não reclama. "Não temos nada. O que oferecerem pra nós, seja onde for, temos que aceitar. E agradecer".

 

Filho de Horácio Reis, que já foi dirigente do levantamento de peso no Pinheiros, clube do qual a família é sócia, e hoje é vice-presidente das entidades sul e pan-americanas que regem a modalidade, Saraiva investiu dinheiro da família para evoluir. Quando Lopez era o responsável técnico para melhorar o nível dos atletas chilenos do esporte, o brasileiro ia encontrá-lo em Santiago, a fim de poder acumular conhecimento e redirecionar seu treinamento. "Falta conhecimento sobre o nosso esporte no Brasil. Isso é um obstáculo".

 

Saraiva quer acumular força, conhecimento e peso. Tudo isso mirando o ouro no Rio. Ele pensa grande e é grande, não é um personagem pequeno do esporte. Mas nem todo mundo lhe dá o devido valor. Sem se importar com isso, Saraiva levanta os halteres. Depois dos Jogos de 2016, quer se livrar do excesso de peso e se voltar para o mundo empresarial. Estudou administração de empresas no Missouri e vai trocar seu colant de halterofilista por terno e gravata.

 

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