Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Fabio Piva/Red Bull Content Pool

Brasileiro ‘intruso’ no mountain bike é 4º no ranking mundial

Carioca de 29 anos, Henrique Avancini coloca o Brasil em evidência em uma modalidade de pouca tradição nacional

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 17h02

O brasileiro Henrique Avancini parece um “intruso” no ranking mundial do mountain bike. O ciclista aparece na quarta posição, atrás apenas do campeão olímpico Nino Schurter e de dois franceses. Está à frente de diversos ciclistas de países tradicionais na modalidade, como Nova Zelândia, República Checa, Alemanha, Suíça, Itália, Áustria e Espanha. É a melhor colocação de um brasileiro.

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“Eu tenho tido uma evolução muito grande, principalmente nas últimas temporadas. Se for ver a minha curva de ascensão em comparação com a dos outros competidores, a minha é mais íngreme”, comemora o ciclista carioca de 29 anos, que entre os bons resultados no ano conquistou uma inédita oitava colocação em etapa da Copa do Mundo UCI MTB XCO e um terceiro lugar na Cape Epic 2018, ambos torneios tradicionais.

Claro que não existe mágica para o sucesso de Avancini. Ele mesmo alerta que seus adversários já estão de olho nas suas pedaladas. “Sempre dizemos que o resultado vem com o treino. Só que eu estou treinando mais que todo mundo no momento. O pessoal falava que eu treinava demais, que iria estourar, mas não quebrei e estou evoluindo. Quero continuar assim e treinando mais ainda”, diz.

Avancini faz parte da equipe Cannondale Factory Racing e tem um grande objetivo para a temporada: melhorar sua posição em relação ao último Mundial de Mountain Bike, em setembro, quando bateu na trave e ficou na quarta colocação, melhor resultado da história de um atleta da América Latina, inclusive. “Quero me manter entre os top 5 no ranking”, diz.

O Mundial deste ano será disputado em Lenzerheide, na Suíça, em setembro. Além de Avancini, outros brasileiros têm conquistado bons resultados. No masculino, Luiz Henrique Cocuzzi está na 35.ª posição. Ele conquistou recentemente o Campeonato Pan-Americano. Já o Brasil ocupa a oitava posição no ranking das nações.

No feminino, Raiza Goulão está atualmente na nona colocação, um grande feito no mountain bike. Como nação, o Brasil está em 13.º na categoria. “É um bom momento para os atletas do País e fico feliz com esse crescimento. Espero que meus resultados ajudem a motivar ainda mais os outros atletas para mostrar que é possível chegar longe, mesmo não sendo de um país tradicional na modalidade”, comenta Avancini.

Claro que o ciclista sabe das dificuldades que cercam qualquer atleta no Brasil, ainda mais depois dos Jogos Olímpicos no Rio, quando os recursos no esporte diminuíram drasticamente. Mas ele prefere não lamentar e sim buscar soluções para se manter competitivo. Ele cortou gastos no treinamento e tenta encaixar sua rotina dentro do seu padrão profissional. Para além disso, ainda criou uma equipe, a Caloi Avancini Team.

“Minha ideia é oferecer aos jovens atletas um projeto para que possam treinar e colher os resultados lá na frente. Quero profissionalizar a formação deles e desenvolver todo potencial”, comenta o atleta, que mantém uma estrutura de ponta. “O esporte é uma das ferramentas mais eficazes para mudanças sociais”, defende.

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