Brasileiro que adiou o sonho da NFL pelos estudos pode fazer história

Cairo Santos luta para ser o primeiro brasileiro a atuar na temporada regular do futebol americano

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2014 | 09h42

NOVA ORLEANS - Um brasileiro com chute potente e preciso chama atenção de equipes norte-americanas. Este fato seria comum se estivéssemos falando de futebol, mas Cairo Santos desponta como um dos melhores chutadores do draft da NFL e pode se tornar o primeiro jogador nascido no País a atuar na temporada regular da Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos. Estudante de administração de empresas na Universidade de Tulane, em Nova Orleans, o atleta abriu mão de tentar entrar na NFL em 2013 para terminar os estudos.

Cairo foi um dos destaques do combine, período de treinos onde as equipes podem acompanhar mais de perto os jogadores que estarão disponíveis no draft, que acontece em Nova York, entre os dias 8 e 10 de maio. "Eu tive a melhor performance em field goals e kickoffs, então fiquei feliz que os técnicos gostaram também."

Nascido em Limeira, o atleta de 23 anos foi para os Estados Unidos em 2009 para melhorar sua fluência no inglês e esperava entrar para o time de futebol da St. Joseph Academy, na Flórida. Cairo Santos conquistou o troféu Lou Groza, em 2012, após uma temporada quase perfeita - acertou os 21 field goals que tentou - um deles, a uma distância de 57 jardas (quase 46 metros). Dos 25 chutes que deu tentando marcar pontos extras, converteu 24.

'BRASILEIROS' NA NFL

Na última temporada, o paulista Maikon Bonani chegou a jogar a pré-temporada pelo Tennessee Titans, mas foi dispensado antes do campeonato começar. Hoje, o mais próximo que o País tem de um brasileiro na NFL é Breno Giacomini, filho de brasileiros, nascido nos Estados Unidos, campeão em 2014 pelo Seattle Seahawks e negociado com o New York Jets para a próxima temporada.  No site da NFL, o kicker Tim Mazzetti, que defendeu o Atlanta Falcons entre 1978 e 1980, aparece como brasileiro. Mas o atleta, que passou quase 17 anos de sua infância em São Paulo, nasceu em Old Greenwich, Connecticut.

Você pode ser o primeiro brasileiro a atuar na temporada regular na NFL. Existe alguma pressão sobre isto?

CAIRO SANTOS - Não vejo pressão. É um orgulho enorme poder representar o Brasil e eu sei que a torcida brasileira estaria me apoiando bastante.

Você preferiu não se inscrever para o draft de 2013. Um ano depois, como você avalia esta decisão?

CAIRO SANTOS - Tenho certeza que foi a decisão certa porque terminar a faculdade a Tulane é uma das minha maiores prioridades, e também acho que a classe de kickers em 2013 era muito talentosa.

Como foi sua participação no combine?

CAIRO SANTOS - O Combine foi excelente para mim. Eu tive a melhor performance em field goals e kickoffs, então fiquei feliz que os técnicos gostaram também.

Você fez alguma preparação diferente para o combine?

CAIRO SANTOS - Eu tive a oportunidade de treinar com kickers que estão na NFL como o Caleb Sturgis e o Billy Cundiff. Eles me deram muitas dicas importantes para me preparar fisicamente e mentalmente para o Combine.

Seu nome é ligado ao Detroit Lions. Como seria atuar ao lado de Matthew Stafford e Calvin Johnson?

CAIRO SANTOS - Qualquer time eu esteja eu acho que deve ser muito legal de jogar ao lado dos jogadores que a gente vê na TV. Tenho certeza que seria uma experiência bacana.

O que mudou para você depois do troféu Lou Groza?

CAIRO SANTOS - O troféu Lou Groza ajudou muito em aumentar a minha reputação como uns dos melhores kickers dessa classe do Draft de 2014. Também é uma honra enorme de ser reconhecido como uns dos ganhadores de um prêmio respeitado como esse.

Depois de deixar o Brasil e se adaptar a New Orleans, você está preparado para trocar novamente de cidade, caso não venha a atuar pelo Saints?

CAIRO SANTOS - Sim eu sempre me adaptei muito rápido e fácil. A única novidade seria talvez conviver com a neve, mas depois de um tempo a gente se acostuma.

Você já se aventurou em outras posições do futebol americano ou o negócio dos brasileiros é com o pé mesmo?

CAIRO SANTOS - Eu já joguei de wide receiver (recebedor) no colegial e também já fiz um touchdown, mas a emoção de acertar um field goal de 50 jardas (45,5 metros) é maior do que fazer um touchdown, então prefiro chutar mesmo.

Depois do sucesso no futebol americano, você voltou a tentar o soccer ou isso é um assunto superado?

CAIRO SANTOS - Todo ano aqui na faculdade eu jogo o soccer com os amigos na liga da Tulane. Esse ano eu não joguei porque não quis correr o risco de me machucar, mas não pretendo parar de bater uma bolinha de vez em quando.

Você continua acompanhando o futebol brasileiro, mesmo de longe?

CAIRO SANTOS - Acompanho o Flamengo, a Seleção, e o campeonato inglês toda semana. É difícil assistir todos os jogos mas pelo menos da para acompanhar as notícias.

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