Brasileiro quer lutar vale-tudo contra Tyson

Ele tem a fala mansa, o rosto sem marcas, está um pouco fora de forma, com o corpo cheio de tatuagens e ainda pinta as unhas da mão de preto. Aos 30 anos, após 135 lutas, com 134 vitórias, o budista Jaime Marcelo diz estar pronto para desafiar o ex-pugilista Mike Tyson para um combate de vale-tudo. Sem a mesma fama de outros lutadores brasileiros de vale-tudo como Wanderlei Silva, Rodrigo Minotauro e Vítor Belfort, Jaime tem o apoio financeiro da SAI (Sports Action Investment), segundo ele um grupo de investidores da Espanha e do Catar que pretende investir US$ 33 milhões para realizar o evento. A empresa planeja também associar-se ao time do Vitória e do Ipitanga, ambos da Bahia, e organizar eventos de luta no Brasil.?A idéia é fazer a luta em um estádio de futebol e terminar com um grande show de música?, disse Jaime Marcelo, que é faixa-preta de tae kown do, jiu-jitsu e atualmente pratica a luta-real, uma variação do vale-tudo. ?A proposta é enfrentar Tyson em uma luta de vale-tudo de 30 minutos sem paralisação e, se for preciso, uma prorrogação de cinco minutos.? Jaime Marcelo contou que já conversou com Tyson, quando o ex-campeão mundial dos pesos pesados esteve no Brasil em novembro do ano passado. ?Aguardamos sua resposta. Em caso afirmativo, acho que vamos precisar de oito meses para acertar tanto a nossa parte física como todos os negócios que envolvem o evento?, revelou.Caso Tyson não aceite o convite, Jaime Marcelo espera que a sua coragem de desafiar um dos maiores mitos do boxe pelo menos o ajude na possibilidade de enfrentar grandes nomes no futuro. ?Estou pronto para qualquer um. Wanderlei, Belfort...?, avisou.Nascido em Campinas e atleta do Guarani, Jaime Marcelo tem um planejamento de treinar boxe na Bahia e em Cuba. ?Quero mudar o conceito de lutador no Brasil. Não é preciso ser bad boy ou fazer cara feia. Precisamos trazer as famílias para assistir às lutas?, explicou.Independente da luta, Tyson deve voltar ao Brasil. Ele tem audiência marcada para 10 de maio, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, por ter agredido um cinegrafista no fim do ano passado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.