Surfista brasileiro lamenta ter perdido 'melhor vaca de 2015'

Aos 40 anos, baiano Márcio Freire vive para o surfe no Havaí

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2015 | 10h17

Muitos surfistas iniciantes sofrem para entrar em uma onda de 70 centímetros. Posicionar-se no mar, saber o tempo certo para remar e ficar em pé na prancha é um grande desafio. Agora imaginem entrar no mar com ondas de mais de 15 metros sem auxílio de jet-ski?

Foi enfrentando este desafio que Márcio Freire se tornou uma referência no surfe de remada em Jaws, na ilha de Maui, no Havaí, local onde estão uma das ondas mais perigosas do mundo. Morando no Havaí há quase 15 anos, o baiano ganhou dinheiro com o esporte pela primeira vez nesta temporada, aos 40 anos. "Para mim, o surfe e o dinheiro nunca tiveram relação. Eu sou surfista de alma", garante.

A única premiação obtida por Márcio Freire na carreira de quase 30 anos veio por ter ficado entre os cinco finalistas do Wipeout of the Year, do XXL Awards 2015 (prêmio de Vaca do ano). Apesar da projeção pelo 'feito', quando sai quicando em uma onda enorme, o brasileiro acha que poderia ter conquistado a primeira posição. "Ganhou um cara em Nazaré. Realmente a onda dele era umas duas ou três vezes maior que a minha, mas não teve emoção. Só dá para ver um rabisco descendo e ele sumindo."

O vencedor do Prêmio 'Vaca do ano' foi Benjamim Sanchis, por queda na temida praia de Nazaré, em Portugal. Compare.

Sem ganhar dinheiro como surfista profissional, Freire sempre precisou se virar para se manter morando no Havaí e já teve vários trabalhos. Já foi assistente de cozinha, jardineiro, feirante, também atuou na construção civil e com serviço de mudanças. Todo este esforço foi feito para manter viva uma proposta de vida que fez assim que conheceu a ilha norte-americana.

"Quando eu me mudei para o Havaí, aquele sonho (de ser surfista profissional mudou também). Eu só queria trabalhar para sobreviver e me patrocinar no surfe", conta. Márcio Freire estreia nesta sexta-feira a série Mad Dogs, no Canal Off, onde será protagonista ao lado de Danilo Couto e Yuri Soledade, ambos também com 40 anos. O trio foi pioneiro ao encarar as ondas de Jaws, no Havaí, na remada e acabou mudando um pouco do cenário do local. Hoje existe uma lei que proíbe alguém entrar no mar de jet-ski (tow in) no local se alguém estiver apenas nas braçadas.

"Meu foco quando cheguei aqui era evoluir na remada. Meus amigos até falavam que de tow in eu iria começar a aparecer em revistas, mas eu queria evoluir no surfe de remada. Também tem o fato de não ser fácil comprar um jet ski. Mesmo com o passar dos anos, mesmo com os convites dos meus amigos, eu ignorava", explica Freire, que garante ter se machucado apenas uma vez nesses anos pegando ondas gigantes. "Tive de parar por um mês e meio por causa de uma distensão. Foi só."

Se as quedas já não são um problemas para o baiano, que admite ter ficado com medo e recusado encarar as grandes ondas de Fernando de Noronha, quando estava começando no surfe, a sensação de estar preso embaixo da água hoje é o maior desafio. "O que mais acontece nas ondas grandes é bater aquela agonia de querer respirar e achar que vai apagar embaixo da água". Mas nem mesmo isso o faz pensar em parar. "Acredito que até os 60 anos eu vou estar surfando".

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