Brasileiro volta a ser a esperança do Iraque

Jorvan Vieira retorna à seleção

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

Um brasileiro retorna a Bagdá na tentativa de dar de novo esperança aos iraquianos. Não se trata de um diplomata ou negociador de paz, mas do técnico de futebol Jorvan Vieira, que levou a seleção do Iraque à conquista da Copa da Ásia em 2007. Ele havia saído, mas, depois de um ano de resultados ruins com outro técnico, retornou.Desta vez, Jorvan foi ainda mais ousado. Pediu para que o time voltasse a treinar em Bagdá, diante dos sinais de que a violência no país começa a retroceder. Nesta semana, depois de cinco anos ausente do país por questão de segurança, a seleção iraquiana volta aos campos da capital, para matar a saudade. Para se preparar para torneios internacionais, Jorvan usava os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia como concentração. Alguns dos jogadores sequer regressavam para rever seus familiares.Embora seja o atual campeão asiático, o Iraque praticamente deu adeus a qualquer possibilidade de se classificar para a Copa de 2010, depois de ter sido derrotado pelo fraco Catar. O técnico Adnan Hamad foi demitido e a seleção, desfeita. Há 22 anos que o Iraque não se classifica para um Mundial - em 86, no México, foi dirigida pelo brasileiro Evaristo Macedo.Para salvar a honra do país e tentar dar alegria ao povo, que ainda sofre com a invasão americana, Jorvan foi chamado de volta. Ele espera formar um novo time nos próximos meses e, em entrevista à imprensa iraquiana, garantiu que não aceitou o convite por dinheiro. "Vim ao Iraque para vencer. Se tivesse medo, teria ficado em casa." Há quase 20 anos que o Iraque não disputa uma partida internacional em seus estádios, primeiro por causa da guerra contra o Irã nos anos 80, depois pela guerra contra o Kuwait no início dos anos 90. Em seguida, pelo embargo que sofre desde 2003. Um dos filhos do ex-ditador Saddam Hussein era o presidente da Federação de Futebol do Iraque e praticamente escalava a equipe e definia punições, até corporais, aos responsáveis por derrotas. Agora, o governo garante que não vai interferir na escalação e também não pretende manter equilíbrios entre sunitas e xiitas dentro do time.

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