Brasileiros concluem viagem de carro da China a Londres

Apesar de dificuldades e atrasos, grupo que fez viagem 'olímpica' de 57 dias e 22 mil kms chega à capital britânica a tempo da abertura dos Jogos.

Camilla Costa, BBC

27 de julho de 2012 | 18h48

O grupo de amigos brasileiros que percorreu 22 mil quilômetros, partindo da China até Londres, acaba de chegar à capital britânica, a tempo de acompanhar a abertura dos Jogos Olímpicos.

Nesta sexta-feira, Richard Amante, Edgar e Paulo Scherer, Lucas Jordão e Bruno Azevedo foram pela primeira vez ao Parque Olímpico de Londres, marcando o final da viagem de 57 dias.

O último obstáculo a vencer foi o trânsito de Londres da manhã da semana de abertura, já que os brasileiros passaram a última noite da viagem próximo ao aeroporto de Gatwick, extremo sul da capital.

"Na verdade, a gente poderia ter chegado um dia antes, mas resolvemos dormir aqui perto pra chegar no dia programado", disse Amante, um escritor de 34 anos, à BBC Brasil.

"É um alívio poder chegar no prazo, especialmente com tantas dificuldades."

Aventura

Amante, junto com outros dois amigos, os irmãos Edgar Scherer, de 30 anos, e Paulo Scherer, de 28 anos, saíram de Pequim rumo a Londres numa viagem que atravessaria 25 países.

Mas depois de nove dias na estrada e cerca de 5 mil quilômetros percorridos, eles foram forçados a deixar o carro em que começaram o percurso, um Santana 2005, na fronteira da China com o Cazaquistão.

O trio teve que continuar a viagem em outros meios de transporte e enfrentou dificuldades com táxis, ônibus e caronas entre a Ásia e o leste europeu.

O plano era encontrar os outros dois brasileiros na Turquia e seguir viagem em outro carro, mas Lucas e Bruno também se atrasaram para chegar. Por isso, a viagem que passaria por 25 países acabou incluindo mais três.

"Como eles estavam atrasados, a gente resolveu subir para a Croácia e encontrar com eles. Acabamos passando por três países que não planejávamos: Bósnia, Croácia e Montenegro", conta Amante.

"Foi algo que valeu muito a pena, porque as praias de lá são lindas. E as mulheres são as mais bonitas da Europa."

Mas o desvio quase fez com que o grupo chegasse a Londres pelo menos três dias depois do previsto originalmente.

"O problema é que, para seguir viagem, tivemos que fazer um desvio de 500 quilômetros para evitar a Sérvia, porque é o único país para qual não conseguimos visto. E quando encontramos com eles (Lucas Jordão e Bruno Azevedo), já estávamos com três dias de atraso", disse Amante.

A solução foi passar mais rápido por outros países da Europa, mais próximos do destino final. "Deixamos muita coisa para programar na última hora, porque não tínhamos como saber se íamos chegar nos lugares dias certos ou não. Nunca reservamos hotel, por exemplo."

Dificuldades

Amante, que mora na China assim como o engenheiro Edgar e o administrador Paulo Scherer, disse que os três tiveram que "se virar na mímica" em diversos países onde era difícil encontrar pessoas que falavam inglês, como na região da ex-União Soviética.

Em Teerã, capital iraniana, Edgar foi detido por cerca de meia hora por ter tirado uma foto na rodoviária, enquanto eles esperavam um ônibus para o oeste do país.

"Edgar quase foi preso porque inventou de tirar foto na rodoviária e não sabia que era proibido. Aí um guardinha apareceu e levou ele para uma sala", relembra o escritor.

"Ele tentava explicar que precisava pegar o ônibus, mas ninguém entendia. A câmera passou pelas mãos de nove pessoas, até que chegou um funcionário que falava um pouco de inglês e explicou que ele tinha que apagar as fotos."

Por causa da confusão, os três amigos chegaram a entrar, sem saber, em um ônibus que ia para o sul do país. Eles foram avisados do erro no último minuto, quando funcionário que lhes vendeu a passagem entrou, aflito, no ônibus em que estavam.

"Por pouco não paramos em um lugar a 600 quilômetros de onde queríamos ir", disse.

Chegada

A ideia da expedição para aos Jogos de 2012 surgiu dois anos antes, quando Edgar Scherer propôs uma viagem de carro até Londres. Eles queriam repetir a experiência que tiveram ao assistirem juntos à Olimpíada de Pequim, em 2008.

Durante os diversos países pelos quais passaram durante a viagem, os amigos levaram uma réplica de plástico da tocha de Pequim e fizeram diversas "passagens" da chama olímpica imaginária rumo à capital britânica.

No entanto, apesar da "missão cumprida", a chegada em Londres não garante que o grupo de brasileiros conseguirá, de fato, assistir às competições.

"Vamos tentar comprar os ingressos ou ver se alguém que tenha sobrando queira fazer doações", brinca Amante. Os cinco amigos irão até Manchester para assistir a uma partida da seleção masculina de futebol e, no dia 31 de julho, começam suas jornadas de volta. Somente o escritor permanecerá na Grã-Bretanha.

"Foi mais pela viagem mesmo. Não pensamos muito no que íamos ver na Olimpíada. Só um dos nossos amigos que ficou chateado porque o (tenista Rafael) Nadal não vai participar, ele queria ver o Nadal." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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