Brasileiros estão prontos para a disputa do Rally Dakar

O Rally Dakar, prova off-road mais famosa e perigosa do mundo, começa no dia 6 de janeiro, com largada em Lisboa, Portugal. No total, serão 8.696 quilômetros cruzando seis países diferentes e chegada prevista para o dia 21 de janeiro, em Dakar, no Senegal. Nesta edição, haverá um recorde de pilotos brasileiros, com oito participantes. Mas dois deles, em especial, têm algo a comemorar: Klever Kolberg e André Azevedo vão enfrentar o desafio pela 20ª vez.Klever e André, ao lado de Jean Azevedo, fazem parte hoje da equipe Petrobras Lubrax. Depois de uma intensa preparação, eles estão prontos para o Rally Dakar. Além deles, o Brasil será representado por outros pilotos: os estreantes Dimas Matos, Carlos Ambrósio e Silvio de Barros nas motos; Paulo Nobre (segunda vez) e Riamburgo Ximenes (estréia) nos carros.Jean Azevedo é irmão de André e vai disputar a prova pela oitava vez, sempre nas motos. Será o primeiro a embarcar para a Europa, no dia 25 de dezembro. Os veteranos da equipe, por sua vez, viajam no dia 1.º de janeiro: Klever compete nos carros e André, nos caminhões.PreparaçãoNa primeira etapa do Rally Dakar, ainda na Europa, antes de entrar no continente africano, os pilotos enfrentam terreno cheio de buracos e chuva. O tempo em São Paulo nestes últimos dias colaborou para que a equipe Petrobras Lubrax fizesse seu penúltimo teste no Brasil. No sítio Base 84, em Itu, a 88km de São Paulo, os brasileiros puderam reproduzir na quarta-feira um pouco dessa fase européia.Klever treina semanalmente nesta pista em Itu. Além dos treinos, as competições nacionais ajudam na pré-temporada para o Dakar. "O ideal seria participar de rali internacional como preparação, pois é totalmente diferente dos realizados no Brasil e você sente a diferença na corrida", afirma o piloto, que vai à academia diariamente para conseguir agüentar um dia inteiro dentro de um carro sacolejando.O esforço físico é ainda maior dentro do caminhão, por causa do peso e do tamanho do veículo. André Azevedo segue uma linha de treinamento parecida com a de Klever. Ele faz academia diariamente, participa das competições nacionais e corre com seu caminhão em São José dos Campos - com menos freqüência do que necessário, já que não é qualquer pista que comporta as dimensões do veículo, que pesa mais de 10 toneladas. Nas horas vagas, o piloto relembra seu início em outra categoria e anda de moto, o que serve para analisar suas condições. "Se eu consigo andar de moto, é sinal de que consigo agüentar os trancos dentro do caminhão. É o termômetro do meu condicionamento físico", conta André.Com uma coisa, todos eles concordam. A categoria motos é a mais desgastante. Além de ser bem menos seguro que andar de carro ou caminhão, o piloto de moto sente muito mais cada obstáculo das estradas. Isso sem contar que ele tem que desempenhar também o papel de navegador. São motivos suficientes para Klever e André não competirem mais na categoria. Klever deixou a moto de lado e optou pelos carros. "Quis ocupar um espaço antes que um outro brasileiro ocupasse", justifica. E André resolveu ficar com os caminhões: "A categoria top, só que de idade", brinca o piloto de 46 anos.Jean Azevedo é o mais preparado entre os três. Sua pré-temporada incluiu competições internacionais e quase uma semana de treinos no deserto do Atacama, no Chile, cujo terreno se assemelha com o deserto enfrentado no Rally Dakar. Para ele, essa experiência no exterior é fundamental para brigar pelas cinco primeiras colocações da prova. Fora isso, competições no Brasil, treinos semanais em São José dos Campos e academia diariamente. Tudo isso é necessário para a mais dura das categorias do mais difícil dos ralis.O último treino conjunto da equipe irá ocorrer nos dias 12 e 13 de dezembro, em Cabo Frio, no Rio, onde as dunas da região reproduzirão o que os pilotos podem encontrar no deserto africano. Depois, é hora de embarcar para mais uma aventura no Rally Dakar.

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