Brasileiros ficam abatidos

Maioria, no entanto, aprova o cancelamento da prova

Glenda Carqueijo, O Estadao de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 00h00

A notícia do cancelamento do Rali Dacar foi recebida com tristeza pelos dez brasileiros que disputariam a prova. Os pilotos concordaram com a medida, com exceção de João Franciosi, que estrearia na competição na categoria carros. "Estou muito para baixo. Dava para mudar algumas especiais (etapas) na Mauritânia. A organização deveria ter pensado nisso antes. Fizeram tempestade em copo d?água", desabafa o campeão do Rali dos Sertões de 2006.Além de não estrear no Rali Dacar, a frustração de Franciosi e de outros pilotos também pode ser explicada pelo alto investimento das equipes.Para um competidor mediano - aquele que vai correr de carro apenas para completar a prova, chegando no máximo na 30ª posição - o gasto é de R$ 1 milhão, com aluguel do carro e outras despesas do veículo. Na categoria motos, o atleta que não figura entre os top vai gastar, por baixo, R$ 180 mil - neste caso, já incluindo a moto. Com um caminhão, os custos chegam a R$ 600 mil. As despesas das equipes de ponta ultrapassam em muito esses valores.O experiente André Azevedo, piloto de caminhão, que faria sua 21ª participação na prova, diz que "todos estão abatidos". Lamenta pelos novatos, mas apóia a decisão. "Foi uma medida drástica, mas positiva porque a segurança de milhares de pessoas estava em jogo", disse o piloto, que já viveu momentos difíceis na prova. "Em 1991, um piloto de caminhão foi morto por uma rajada de metralhadora, no Mali; em 1995, um motociclista passou sobre uma mina; em 1999, houve um arrastão no deserto; em 2000, cinco dias de paralisação por tensões em alguns países."Paulo Nobre, o Palmeirinha, que competiria pela terceira vez na categoria carros, observou que "cancelar toda a prova era algo que nunca tinha passado pela minha cabeça. A ficha ainda não caiu."

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