Thiago Diz
Surfistas prontos para a disputa do título mundial de surfe Thiago Diz

Surfistas prontos para a disputa do título mundial de surfe Thiago Diz

Brasileiros lutam pelo quinto título mundial de surfe em Trestles, nos Estados Unidos

Gabriel Medina, Italo Ferreira e Filipe Toledo são os representantes do País no Rip Curl WSL Finals, a decisão masculina do Circuito Mundial de Surfe

Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Surfistas prontos para a disputa do título mundial de surfe Thiago Diz

Nas últimas seis edições do Circuito Mundial de Surfe o Brasil conquistou quatro títulos. E se não der nenhuma zebra, o País tem tudo para ganhar o penta no masculino, só não se sabe com qual atleta: Gabriel Medina, Italo Ferreira ou Filipe Toledo. No feminino, Tatiana Weston-Webb tenta uma vitória inédita.

A janela de disputa do Rip Curl WSL Finals começa nesta quinta-feira, 9, e vai até o dia 17. Os organizadores vão escolher o melhor momento baseado na previsão das ondas para realizar as baterias em um único dia. O evento será transmitido ao vivo pelo WorldSurfLeague.com e pelo YouTube e aplicativo da World Surf League e pelos canais da ESPN Brasil.

Batizado de WSL Finals, a decisão do circuito mudou de formato nesta temporada. A última etapa não é mais no Havaí, onde ocorria o tradicional Pipe Masters, nem o campeão será decidido no sistema de "pontos corridos". Desta vez, a WSL (Liga Mundial de Surfe) optou por fazer um evento em dia único com cinco surfistas de cada gênero mais bem colocados no ranking mundial.

O local escolhido foi Trestles, na Califórnia, que possui ondas para os dois lados e possibilita uma variedade de manobras. E o formato também é inédito. O quinto do ranking, o australiano Morgan Cibilic, encara Conner Coffin, dos Estados Unidos, em bateria decisiva. Quem passar pega Filipinho, terceiro do ranking. O vencedor deste duelo disputa com Italo uma vaga na final. Quem passar pega Medina na decisão em uma melhor de três baterias. Ou seja, a chance de dar um surfista do Brasil no masculino é enorme.

"Acho que tanto faz quem chegará para disputar a final comigo. Acho que será uma decisão brasileira, pelos resultados e constância na temporada, e como sempre vai ser difícil. Eu me preparei da melhor maneira possível e a expectativa de altas ondas me deixa confiante. Que vença o melhor", afirma Gabriel Medina, que é bicampeão mundial e busca seu terceiro troféu. "O Brasil está vivendo um grande momento no surfe, eu aprendo e evoluo com esses caras, e inspiro também. É uma troca boa", continua.

Ele fez uma temporada excelente no circuito, chegando em cinco finais nas sete etapas. Teve uma pontuação bastante alta que, se fosse em outros anos, na disputa em outro formato, chegaria ao último evento como campeão antecipado. Mas agora vai precisar lidar com o favoritismo de um ano ótimo contra rivais que conhece desde pequeno e que sempre disputou baterias.

Um dos atletas que pode atrapalhar o sonho do tricampeonato é Italo Ferreira, atual campeão mundial (em 2019, pois no ano passado a competição não ocorreu por causa da pandemia da covid-19) e que recentemente conquistou o ouro olímpico nos Jogos de Tóquio. "Finalizar essa temporada com mais um título mundial seria o ano perfeito. Tenho me dedicado muito, a oportunidade está aí e quero agarrar", avisa.

Ele também elogia seus adversários e enaltece o ótimo momento do País na modalidade. "Um puxa o nível do outro e isso é legal, eleva o nível do surfe para outro patamar. A gente se respeita bastante e para quem admira o esporte isso é um espetáculo. São caras que eu admiro muito, mas quando entro na água quero fazer o melhor porque é um esporte individual", continua.

Dos três, Filipe Toledo foi o único que não esteve na Olimpíada e também não tem título mundial. Mas o atleta tem um trunfo importante para essa disputa: vai surfar praticamente no "quintal" de sua casa. Ele mora em San Clemente, na Califórnia, a 10 minutos da praia de Trestles. Além da proximidade, conhece o local como poucos.

"Para mim será um evento diferente, mais tranquilo. Como moro muito perto, vou dormir em casa com minha mulher e meus filhos. Vou poder comer bem, com mamãe fazendo o almoço, e as preocupações diminuem. Então acaba sendo algo mais leve e divertido, e mesmo sendo uma disputa de título mundial, estou confortável", revela.

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ENTREVISTA - Tatiana Weston-Webb

Atleta representa o País no WSL Finals, a etapa decisiva do Circuito Mundial de Surfe; no masculino estão Gabriel Medina, Italo Ferreira e Filipe Toledo

Entrevista com

Tatiana Weston-Webb, surfista brasileira

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 15h01

Em um novo formato para definir o campeão mundial de surfe, a decisão da temporada será realizada em um dia único na praia de Trestles, na Califórnia (Estados Unidos), no melhor dia de ondas durante a janela de disputa que começa em 9 de setembro e vai até o dia 17. A brasileira Tatiana Weston-Webb é a única brasileira entre as cinco com chances de levantar o troféu. No masculino, entre os surfistas nacionais, estão Gabriel Medina, Italo Ferreira e Filipe Toledo.

O formato de disputa também é diferente dos outros anos. A quinta colocada do ranking mundial (a francesa Johanne Defay) enfrenta a quarta (a australiana Stephanie Gilmore). Quem ganhar a bateria encara a australiana Sally Fitzgibbons. Quem passar daí encara Tati, que é segunda colocada no ranking. E a vencedora desta disputa vai pegar a havaiana Carissa Moore em uma melhor de três. No masculino o formato é o mesmo.

Focada na disputa do título mundial, Tati já está na Califórnia se preparando para a decisão do Circuito Mundial de Surfe. Ela vem analisando as condições do mar e aperfeiçoando seus equipamentos para tentar buscar um título inédito para o Brasil, que nunca foi campeão mundial na elite no feminino. Aos 25 anos, ela vive ótima fase e espera ver uma festa verde e amarela nas areias de Trestles.

Qual sua expectativa para o Rip Curl WSL Finals?

Agora por enquanto não tenho muita expectativa na minha cabeça. Estou focada em surfar bem e ter o equipamento 100% nos meus pés. Quero deixar para pensar em algo mais específico no dia e vou entrar para surfar bem.

Como está sendo sua preparação?

Depois da etapa no México eu fui para Salina Cruz e fiquei só surfando e me divertindo. Vou receber mais três pranchas novas na sexta e estou treinando bem.

Como é seu desempenho nas ondas de Trestles?

Já tenho treinado lá e estou sempre vendo as imagens, pegando equipamentos para o dia, dormindo e me alimentando bem. Competi lá vários anos, ganhei muitas etapas, mas era mais nova. Tenho ótimas memórias e estou bem acostumada a surfar essa onda.

Desde a última etapa na Austrália, seu desempenho em comparação com suas rivais caiu. Isso é motivo de preocupação ou foi um relaxamento natural por já estar praticamente garantida na decisão?

Acho que isso não vai fazer diferença. Às vezes é apenas um momento. O que vale é que estou em segundo lugar, uma ótima posição para as finais. Então quero aproveitar e vou fazer tudo que posso para vencer.

O formato de disputa do Rip Curl WSL Finals te agrada?

É um formato novo, todas têm as mesmas chances, e quem está em cima no ranking tem vantagem, mas acredito que são chances iguais para todo mundo.

Você precisa ganhar apenas três baterias para ser campeã do mundo. Como se preparar para isso?

É algo que precisa visualizar bastante e se ver ganhando essas três baterias. Estou começando minhas visualizações e estou me preparando bastante no lado psicológico. Não tenho expectativa sobre quem eu vou enfrentar, mas vou estudar as surfistas para ver os pontos fracos e fortes delas.

Como foi a sua experiência olímpica no Japão?

Foi incrível. Pude participar de um evento histórico e um dia vou contar isso para meus filhos. Foi muito especial, vi o Italo ganhando o ouro, o time foi bem o tempo todo, nunca vou esquecer. 

O que mudou na sua vida por ter participado dos Jogos de Tóquio?

A Olimpíada mudou bastante. A gente tem uma visão maior e as pessoas estão tendo mais respeito por nosso esporte. É importante perceberem que fazemos algo bem sério. As pessoas acham que é só estilo de vida, mas a gente trabalha bem forte para competir. 

Do ponto de vista financeiro, a situação está melhor também?

Eu ganhei alguns patrocínios por causa da Olimpíada, mas às vezes eles não continuam para outros anos. 

Você é a única brasileira no feminino, mas no masculino temos três representantes. Acha que pode ter uma festa verde e amarela na Califórnia?

Eu acho que pode ter com certeza. Especialmente porque Italo é segundo, Gabriel está em primeiro, então a chance de o Brasil ganhar é mais do que 50%.

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ASSISTA - Documentário sobre Italo Ferreira mostra sua relação com Baía Formosa

Produção contra a trajetória do surfista brasileiro que é campeão mundial e olímpico

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2021 | 05h00

Orgulho de Baía Formosa, cidade litorânea do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira lançou nesta quarta-feira, 8, um documentário sobre sua trajetória de sucesso em cima da prancha. O garoto que começou a surfar com tampas de isopor que seu pai usava para guardar os peixes que pescava agora é campeão mundial e olímpico.

"Italo é intenso, talvez seja por isso que ele e o mar se dão tão bem juntos. É uma energia que flui", começa ‘A Curiosa História de Italo Ferreira', documentário de 49 minutos, que é narrado por Marcelo Buxexa, amigo de infância do surfista, e relata as façanhas do atleta pela visão das pessoas que sempre conviveram com ele. A produção é da O2 Filmes, com direção de Luiza de Moraes. 

A cidade onde Italo cresceu e vive até hoje ganhou fama por causa de seu filho ilustre. É lá que ele sempre volta após suas competições para recarregar as energias e onde vai construir um instituto para devolver um pouco de tudo que recebeu para a comunidade. "Fiquei muito feliz de ver o documentário, o resultado final ficou incrível", disse o atleta.

O surfista, com suas manobras ousadas, mudou seu futuro numa pequena cidade onde a maioria das pessoas vai trabalhar na prefeitura, na usina ou com peixe. O vídeo faz até uma brincadeira lembrando que "50 pessoas falam que ensinaram Italo a surfar", reforçando a tese bem-humorada da história de pescador que poucos acreditam.

O lançamento do documentário ocorre na véspera de Italo entrar para mais uma decisão. Ele disputa o Rip Curl WSL Finals, que definirá o campeão mundial de surfe na temporada. O brasileiro luta pelo bicampeonato, mas para isso terá de superar Gabriel Medina e mais um adversário, que pode ser Filipe Toledo.

"São os dois melhores surfistas da atualidade, sempre puxam o nível e são caras que me inspiram. Mas a amizade fica do lado de fora. Na hora da bateria é uma outra história, treinei bastante para estar bem nesse período. A gente viu na previsão que vai ter altas ondas, então não terá sorte, vai precisar de alta performance. Estou na disputa", avisou.

Para ele, o documentário serve de inspiração para chegar ainda mais longe na carreira. "Tudo isso passa, o que fica é o que realmente vocês assistiram, nossa história e amizade. Tenho desejos e sonhos, continuo buscando. É irado ser campeão do mundo, campeão olímpico, são coisas que mudam a vida. Esses desafios são meu combustível, por isso sempre tento fazer o melhor. Sei o que trabalhei para chegar até aqui e tenho orgulho de tudo isso", diz Italo, que gosta do jeito que seu filme encerra. "Continuo sendo um moleque cheio de sonhos."

FICHA TÉCNICA:

Produção: O2 Filmes

Direção: Luiza de Moraes

Produtores: Rafael Fortes, Luiza de Moraes, Rejane Bicca

Produtores Executivos: Flávia Zanini, Edney Tamachiro, Chica Mauger, Luiz Braga, patrícia Silverstein

Diretor de Fotografia: Leandro Pagliaro

Roteiro: Mariana Bardan & Eduardo Melo

Trilha: Ed Cortês

Mixagem: Diogo Poças

Montador: João Macfarland

Line Producer: Patricia Aguiar

Assistente direção: Livia Duclerc, Patricia guiar, Thai Rossano

Pós-Produção: O2 Filmes Post

Produtor de Pós-produção: Paulo Barcellos

Produtor executivo pós-produção: Felipe Andriolo

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