Brasileiros minimizam decisão da Fifa de lançar sistema de transferência de jogadores

Principais empresários do País não acreditam em extinção da profissão e valorizam trabalho com clubes e atletas

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2013 | 02h05

SÃO PAULO - A Associação Brasileira de Agentes de Futebol e os principais empresários do País minimizam a decisão da Fifa de lançar o Sistema de Transferência Global de Jogadores. A opinião é que o trabalho desses profissionais não corre risco de acabar.

"Se você quer comprar uma casa, procura um corretor. Se quer investir o seu dinheiro, procura um profissional do mercado. O mesmo acontece quando o clube quer um jogador. Isso não vai mudar", diz o presidente da Associação Brasileira de Agentes de Futebol, Jorge Moraes.

Para ele, antes de tentar diminuir o papel do empresário, a Fifa deveria disciplinar o exercício da profissão. "O que a Fifa tem de fazer é penalizar quem não cumpre o seu estatuto. O problema é que o agente acaba levando a culpa de tudo. Existe uma série de coisas erradas no mundo da bola, mas só quem paga o pato é o agente", critica.

Wagner Ribeiro, empresário que tem Neymar e Lucas na sua carteira de clientes, também dá de ombros para a investida da Fifa contra os agentes. Ele alega que o tête-à-tête é insubstituível. "Não vendo jogador por DVD. Vou aos clubes, converso com os presidentes, negocio. Não tem como um computador fazer o que eu faço", diz.

Ribeiro, inclusive, acredita que o Sistema de Transferência Global de Jogadores da Fifa poderá ajudar os agentes. "Hoje em dia tem muito atravessador que se diz empresário. Se de fato for criado esse sistema on-line, basta você acessá-lo para conferir se a pessoa está dizendo a verdade ou não."

Opinião semelhante tem Reinaldo Pitta. Ex-empresário de Ronaldo Fenômeno, atualmente ele trabalha, entre outros, com Emerson Sheik, Felipe (ex-Vasco) e Fabrício (São Paulo). "Agora surgiu a profissão pai/empresário de jogador. O garoto com 15 anos começa a se destacar e o pai já abandona o emprego porque acha que o filho vai se transformar num Neymar, mas depois não dá certo e a família passa fome. Esse tipo de coisa não pode continuar."

Para José Fuentes, o Sistema de Transferência Global de Jogadores só beneficiaria os clubes, em detrimento dos atletas - entre os seus clientes estão Luis Fabiano e Juninho Pernambucano. "Quem tem interesse em tirar os agentes do meio são os clubes. Se o clube negocia direto com o jogador, é vantajoso para ele, mas se o atleta quiser fazer um bom negócio ele precisa ter um agente ao seu lado porque o clube só pensa no seu lado", conta.

Ainda segundo Fuentes, são os clubes que incentivam a ação de atravessadores. "Eles continuam existindo e sobrevivem porque tem gente dentro dos clubes que trabalha com eles. Os próprios dirigentes pedem para fulano ou beltrano fazer algum tipo de serviço para eles."

Transparência. O ex-goleiro Gilmar Rinaldi, que atualmente agencia as carreiras do meia Danilo e do lateral Fábio Santos, vê na decisão da Fifa de criar um mercado on-line de jogadores a oportunidade de a atividade dos empresários ficar mais transparente. Ele cita o exemplo do futebol italiano, onde é estipulado no contrato do jogador o valor da comissão repassada ao empresário.

"O que falta é um modelo mais transparente. O Sindicato dos Atletas, por exemplo, poderia criar um selo de certificação para os contratos e, assim, evitar problemas como acordos sem validade ou assinatura", sugere.

Agente de Thiago Neves, Léo Rabello discorda de Rinaldi. Para ele, o valor da comissão é "uma questão de foro íntimo". "Esse ranço que existe contra empresário de jogador de futebol é esquisito. Hoje, todo mundo tem empresário, o artista, o cantor e ninguém está preocupado quanto o empresário do Roberto Carlos ganha ou deixa de ganhar em um show."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.