Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Brasileiros terão adversários de peso na São Silvestre

Vencedor da prova no ano passado e o ganhador da Maratona de Nova York deste ano estão entre os africanos cotados para triunfar

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2015 | 07h05

Os corredores brasileiros não terão vida fácil na tarefa de acabar com o domínio dos africanos na São Silvestre, que será disputada nesta quinta-feira. Giovani dos Santos e Solonei da Silva, os nomes mais fortes do Brasil na prova, enfrentarão, entre outros, o etíope Dawit Admasu (campeão no ano passado) e o queniano Stanley Biwott – vencedor este ano da Maratona de Nova York.

A última vez que um brasileiro venceu nas ruas de São Paulo foi em 2010, com Marilson Gomes dos Santos. No feminino, o País não ocupa o lugar mais alto do pódio desde 2006, quando a vencedora foi Lucélia Peres.  “Sei que os brasileiros podem vencer, porque são bons atletas”, afirma Biwott, que diz que sua vitória em Nova York não é garantia de que fará uma grande prova amanhã. “Aqui são 15 quilômetros, lá são 42. Por causa da distância menor a prova aqui é mais competitiva.”

Seu melhor resultado em São Paulo é um sétimo lugar, e também por isso seu discurso é de humildade. 

“Na minha opinião é uma prova dura, com um percurso bastante técnico e que reúne bons atletas. Estou bem treinado, conheço o trajeto muito bem e estou preparado para enfrentar os desafios do percurso e os adversários, mas sei que não será fácil.”

O etíope Admasu vai defender o título do ano passado e sabe que a concorrência para lhe tirar o posto de número um será grande. Mas se mostra confiante. “Venci no ano passado e estou preparado para ganhar novamente. É uma competição forte, muito importante para mim, e por isso tenho treinado duro nas últimas semanas.”

Ele sabe que precisara ser mais rápido nesta edição, porque venceu em 2014 com o pior tempo desde que a prova passou a ser disputada com 15 km, a partir de 1991. Ele foi o único ganhador a fazer o percurso acima dos 45 minutos.

“Sei que os brasileiros estão fortes, mas minha vantagem é que agora conheço o percurso e isso fará muita diferença”, diz, antes de ressaltar que adora correr em São Paulo. “O Brasil é um país incrível.”

No pelotão de elite brasileiro, os nomes mais fortes são Giovani dos Santos, quinto colocado na São Silvestre do anos passado e tetracampeão da Volta Internacional da Pampulha, prova de 17,8 quilômetros, e Solonei da Silva, campeão da Maratona de São Paulo  em 2013 e da Meia Maratona de São Paulo em 2015. Ele tem índice para disputar a maratona nos Jogos Olímpicos do Rio.

POUCA CHANCE

Se no masculino existe a expectativa de quebrar o domínio recente dos africanos, apesar das dificuldades, no feminino a chance de isso acontecer é bem mais remota porque existe um abismo entre as corredoras africanas e as brasileiras. Em 40 edições para as mulheres, apenas cinco vezes o Brasil venceu a prova: com Carmem Oliveira (1995), Roseli Machado (1996), Maria Zeferina Baldaia (2001), Marizete Rezende (2002) e Lucélia Peres (2006).

O jejum de vitórias brasileiras deve continuar, mas algumas mulheres vão tentar tirar as africanas do Quênia e da Etiópia do pódio, como Joziane Cardozo, melhor do País na edição do ano passado, com o oitavo lugar, e Sueli Pereira, nona colocada em 2014.

Quem vai defender o título é a etíope Ymer Ayalew, que venceu a prova também em 2008. “Quero ganhar novamente aqui no Brasil. Respeito as minhas adversárias, mas quero vencer e vou fazer de tudo para conseguir isso. Tenho boas lembranças do Brasil, onde sempre fui bem recebida. Adoro competir aqui e espero contar com a torcida novamente.”

Sua principal adversária é a queniana Maurine Kipchumba, que venceu a São Silvestre em 2012 e está animada para repetir a dose.

“Estou com boas expectativas para essa corrida e me sinto bem fisicamente, mas sei que numa prova dessas tudo pode acontecer. Vai depender um pouco das condições climáticas. Vou tentar me concentrar somente na minha corrida, sem me preocupar com as outras atletas.”

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