Brasileiros vêem Greene como favorito

Quem é o homem mais rápido do mundo? É a pergunta que os velocistas de todo o mundo começam a responder, a partir deste sábado, no Estádio Olímpico de Atenas, quando serão realizadas as dez séries eliminatórias dos 100 metros rasos, a partir das 5h35. O Brasil terá André Domingos, Jarbas Marcarenhas e Vicente Lenílson correndo a distância, mas nenhum deles tem chance de brigar pelo título.Para o técnico da equipe brasileira de velocidade, Jayme Neto Jr., os principais candidatos a ganhar a prova mais rápida do atletismo são os norte-americanos Maurice Greene - o atual campeão olímpico já correu a distância esse ano em 9s91 e tem a marca de 9s79 como a melhor da carreira -, Shawn Crowford e o jamaicano Asafa Powell, um ex-jogador de futebol que começou tardiamente no atletismo e vem surpreendendo pela marcas e resultados na distância.Os outros brasileiros competindo neste sábado suas eliminatórias são Geisa Coutinho e Laura Almirão, nos 400 metros, e Keila da Silva Costa, no salto em distância. A lista de entrada dos 90 candidatos ao título dos 100 metros mostra que ele está reservado a uma elite bem pequena. Da relação, apenas seis velocistas têm tempos nessa temporada abaixo de 10 segundos: o nigeriano Deji Aliu (9s95), o campeão mundial Kim Collins (9s99), de Saint Kits e Neves, os norte-americanos Maurice Greene (9s91), Justin Gatlin (s92) e Shawn Crawford (9s88) e o jamaicano Asafa Powell (9s91). "Se o Vicente Lenílson repetir sua melhor marca (10s13) terá alguma chance de ir à final.Os 100 metros não são a prova do André, que só correu a distância no Troféu Brasil, mas como decidiu não correr os 200 m para não atrapalhar o revezamento fará a prova apenas para pegar ritmo de competição. O Jarbas é jovem, estreante em Olimpíada, vai correr os 100 metros também para ganhar ritmo e ter contato com o estádio, mas se conseguir passar à semifinal já será excelente", analisou Jayme sobre a participação dos brasileiros. Observou ainda que o melhor tempo de Jarbas foi feito em altitude (10s18).Sobre os reais candidatos ao pódio, disse que "dá Maurice Greene, que é mais gabaritado para enfrentar esse tipo de prova numa Olimpíada". "Embora o Asafa tenha vencido Greene duas vezes esse ano, inclusive em Zurique (Grand Prix da Golden League), acho que o americano ainda é o favorito. O Crawford também pode chegar."Novo Greene? - Asafa Powell, de 22 anos, um jamaicano forte nascido em St Catherine - tem 1,90 m e 88 quilos - chamou a atenção ao vencer Maurice Greene duas vezes esse ano. Treinado por Stephen Francis, Asafa envolveu-se na polêmica que também desclassificou o velocista Jon Drummond do Mundial de Paris, em 2003. Ambos queimaram a largada e foram desqualificados dos 100 metros. Drummond chegou a ficar deitado no chão da pista em protesto à desclassificação. "Foi uma grande decepção, e eu queria voltar para mostrar ao mundo o que poderia ter feito", disse, hoje, Powell, numa entrevista programada pela Nike que tem usado seus atletas para divulgar a tecnologia de produtos olímpicos - grande parte das coletivas os atletas passam elogiando as sapatilhas.Quando Maurice Greene ganhou a medalha de ouro nos Jogos de Sydney, em 2000, Asafa Powell, tinha 17 anos e não competia no atletismo. Atualmente, é apontado sobre o homem que pode tomar o lugar de Greene.Primeiro melhorou o recorde jamaicano dos 100 m, que já durava 13 anos e pertencia ao lendário Raymond Stewart. E exatamente há um mês em Londres quando bateu o velocista mais rápido do mundo, Maurice Greene e novamente no dia 6, em Zurique, quando voltou a levar vantagem correndo cabeça a cabeça com o campeão olímpico.O mais jovem de uma família de seis irmãos, Powell explicou que aprendeu a correr com os mais velhos, mas só disputou sua primeira prova em 2001, no campeonato jamaicano. O irmão Donovan foi semifinalista no Mundial Indoor de 1999. Antes disso Asafa Powell jogava futebol, era um lateral na Charlemont High Scholl e no Orange Field County Club. Não se lembra exatamente quantos gols marcou, mas disse que o máximo que fez em um único jogo foram três. Era rápido, daí a facilidade para o atletismo. "Tomei a decisão certa ao optar pelo atletismo", disse.Apesar da tradição em formar velocistas, a jamaica não tem um medalhista de ouro olímpico nos 100 metros. Disse que tem uma certa pressão porque o apontam como o primeiro jamaicano que pode ganhar o ouro, mas só que manter-se focado. "Estou pensando em fazer uma boa largada, olhando para a linha de chegada, não ficar nervoso e manter o foco", disse Powell.

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