Brasília e BH sonham com jogo de abertura

Força política e pujança econômica a favor das cidades

EDUARDO KATTAH e VANNILDO MENDES, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Pouco mais de 700 quilômetros separam Brasília e Belo Horizonte. As duas cidades, porém, dividem o mesmo sonho: a honra de receber a partida de abertura da Copa do Mundo, que voltará a ser realizada no Brasil após 64 anos. Pela frente, contudo, terão a pretensão paulistana pelo primeiro jogo do torneio.Localizadas em uma área estratégica do País, na região centro-sul, as cidades contam com boa malha aérea e rodoviária. Também são importantes centros de poder e possuem um mercado importante. Brasília é a sede do governo federal e tem o Produto Interno Bruto (PIB) per capita mais alto dentre as 17 candidatas - R$ 37.600, de acordo com dados de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital mineira, dona de tradicional força política, tem o 4º maior PIB entre as cidades brasileiras: produz 1,38% das riquezas da nação, também segundo o IBGE. Mas, quando o assunto é bola rolando, a importância das sedes é incomparável. O Distrito Federal é representado por Brasiliense e Gama nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro. "Mas clubes do Sudeste, como Flamengo e São Paulo, realizam com frequência disputas importantes na cidade, com garantia de casa cheia", minimiza Fábio Simão, presidente da Federação Brasiliense e secretário adjunto da Casa Civil. Já Belo Horizonte tem três times na disputa do torneio nacional: o América, terceiro maior clube da cidade, está na 2ª Divisão. Atlético e Cruzeiro arrastam milhares de torcedores pela Série A. Ambos já levantaram títulos brasileiros - em 1971 e em 2003, respectivamente -, sendo o clube celeste bicampeão da Libertadores (1976 e 1997).MINEIRÃO E MANÉ GARRINCHAAs duas cidades apostaram em seus mais tradicionais campos para a Copa de 2014. O Governador Magalhães Pinto - Mineirão - e o Estádio Mané Garrincha serão reformados e modernizados para atender às exigências da Fifa. As obras de adequação dos dois estádios deve variar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. Ambos são de propriedade pública.Inaugurado em 1965, o Mineirão é o quarto estádio mais antigo dentre os escolhidos pelas cidades candidatas. Perde apenas para Maracanã (1950), Fonte Nova (1951) e Morumbi (1960). Em 44 anos de existência, o estádio nunca passou por uma profunda reforma. Por isso, sua adequação vai demorar dois anos, tempo em que ficará fechado para jogos - Atlético e Cruzeiro, que não possuem campo próprio, terão de mandar suas partidas no Estádio Independência, do América. A estrutura de concreto do Mineirão será mantida, com a reconstrução da parte interna. O gramado será rebaixado em 3,5 metros e a arena ganhará uma cobertura em aço. A capacidade total será de 69.950 lugares, sendo 60 mil para o público.Já o Distrito Federal, apesar de ter o único estádio do País totalmente de acordo com as normas da Fifa - o Bezerrão, no Gama, para 20 mil espectadores -, gastará R$ 600 milhões para melhorar o Mané Garrincha. A capacidade atual, de 42 mil pessoas, será ampliada para 71 mil, justamente para ter a possibilidade de abrigar o jogo de abertura da Copa. As obras devem começar em setembro e a reinauguração do estádio está prevista para dezembro de 2012. O governo ainda decidirá se as obras serão por licitação ou mediante parceria público-privada.MOBILIDADE EM FOCOO transporte de massa e a mobilidade urbana ocupam lugar de destaque para as candidatas. Brasília pretende investir R$ 1 bilhão em um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que sairá do aeroporto, cortará as principais artérias do Plano Piloto e chegará ao Mané Garrincha. Em Belo Horizonte, a ampliação do metrô (com investimento previsto de R$ 3,4 bi até 2013) é a principal aposta para melhorar o trânsito da cidade - a prefeitura também programa outras 29 intervenções viárias.O grande desafio dos mineiros é a questão hoteleira. Tanto que o Estado pode construir uma espécie de "vila olímpica" - prédios que, inicialmente destinados à hospedagem das delegações, serão vendidos depois como apartamentos. O problema que aflige Belo Horizonte não tira o sono dos brasilienses. A capital federal tem o terceiro maior número de hotéis do País.

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