Brava gente

Desde garoto dei um bico na conversa fiada de que homem não chora. Quem inventou isso era um manteiga derretida que tinha vergonha de si próprio. Emoção pra mim sempre contou - e não vou mudar a esta altura da vida. Isto posto, não escondo que fiquei duplamente comovido, na noite deste sábado, como havia tempo (pelo menos uma semana...) não acontecia. Primeiro, ao ver a alegria da rapaziada que levará o Brasil de volta à disputa do torneio olímpico de basquete, depois de 16 anos de jejum.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

Na sequência, com os olhos vermelhinhos de Wlamir Marques, gigante de sempre do basquete brasileiro e mestre nos comentários na ESPN. O nosso campeão de ontem tentou segurar as lágrimas, por causa desses condicionamentos bobos que nos impingem. Depois, deu um chega pra lá em convenções e não escondeu que estava enternecido até o fundo d"alma com a proeza da moçada comandada por Rubén Magnano. Embarquei com Wlamir nessa viagem.

Agradável, heroica e simpática viagem, proporcionada por Marcelinho Huertas, Marquinhos, Alex, Tiago Splitter, Nezinho, Guilherme Giovannoni &Cia. Bella. Esses jovens foram estupendos no Pré-Olímpico disputado em Mar del Plata. Honraram a história do próprio Wlamir, Rosa Branca, Amaury, Sukar, Menon, Ubiratan, Oscar, Marcel, Carioquinha, Marquinhos e tantos outros que no passado puseram o basquete brasileiro no topo.

A vitória sobre a República Dominicana encerra um período de vácuo, de baixa autoestima. O basquete, que um dia foi o segundo esporte mais popular no País, voltou ao lugar que sempre foi seu de direito. Se pudesse, receberia esses jovens em carro de bombeiros, com direito a desfile, rojões e discursos. E daria, correndo, título de cidadão brasileiro para o Magnano, esse ítalo-argentino que entende do riscado. Brava gente! E mandaria uma careta para aqueles pretensos astros que abandonaram o barco, por acreditar que continuar à deriva.

Múltipla escolha. A macarronada de hoje terá de sair mais cedo. Porque das 4 da tarde até às 8 a atenção de quem gosta de futebol e não tem opção de ir ao estádio, se concentra na telinha da tevê. A 23.ª rodada promete altas doses de adrenalina - e, mais uma vez, com possibilidade de mudança no topo, pois os quatro primeiros jogam fora. Dos oito duelos, seis são importantes para a briga pelo título e outro para driblar o descenso. Só um (Ceará x Atlético-GO) pode ser encarado como água com açúcar.

Já me preparo para cãibras nas mãos de tanto que vou rodar o controle remoto pra cá e pra lá. A aposta inicial, e óbvia, fica para Flu x Corinthians. O campeão de 2010 enfim acordou, após meses de decepções. Conseguiu três vitórias consecutivas, baixou a poeira, foi a 34 pontos e sente a inquietação agradável de que dá para brigar pelo bi. Pretensão? Não, se bater o Corinthians.

O alvinegro sacudiu o esqueleto com a vitória de virada sobre o Flamengo, em confronto empolgante. O time de Tite retomou a liderança e mostrou garra, autocontrole e eficiência que o fizeram disparar nas primeiras rodadas. Fogo de palha? Sim, se voltar a oscilar mais do que a Bolsa de Valores. Não, se retomar a sobriedade inicial.

Vasco e São Paulo, 41 pontos cada, dois atrás do Corinthians e firmes nessa corrida maluca pela taça, torcem por empate. Ambos terão de superar rivais no Sul. Faz tempo que chamo a atenção para a ascensão vascaína, que começou o ano mal, mas cresceu com a conquista da Copa do Brasil. Tem cacife para fazer dobradinha de troféus e é favorito contra o Figueirense. O São Paulo terá de cortar um dobrado contra o Grêmio. Mas, como tem sido visitante incômodo, não é um despautério imaginar no mínimo empate em Porto Alegre.

Bom ficar de olho no Botafogo, que pega o Coritiba. Sem metas atrevidas, ficou largado num canto, fora de foco e, na moita, cresceu, apareceu e está aí. Hoje, talvez, é quem apresenta o futebol mais consistente. O Palmeiras está com 34 pontos, há três rodadas não vence, e recebe o Internacional. É sua última oportunidade.

Outro que busca definição é o Flamengo. As últimas 7 rodadas foram tenebrosas, com 4 derrotas e 3 empates. Se não passar pelo Atlético-PR, fica na saudade. Atlético-MG (21) x Bahia (24) é batalha de desesperados.

Só me resta parafrasear antiga propaganda: "Êta campeonatinho bom!"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.