Briatore joga pesado com Nelsinho

Diretor da Renault vai ao ataque, rebate acusações do piloto com críticas duras e promete processar os Piquet

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A Fórmula 1 ferve e vive provavelmente a temporada mais tumultuada de todos os tempos. Os dois primeiros treinos livres do GP da Itália, ontem, na reta final de uma decisão emocionante de campeonato, ficaram em segundo plano. A guerra entre a família Piquet, Flavio Briatore e a Renault domina as conversas em Monza e o noticiário na Europa. Ontem, novo capítulo da briga agitou os bastidores do automobilismo.

O caso já virou processo criminal e o nível das acusações baixou ainda mais. O diretor do time francês chamou Nelsinho de "mimado e fraco como piloto", além de ter abordado a intimidade do brasileiro. "Nelsinho é menino mimado, sempre correu pelos times criados pelo pai, dispôs dos melhores equipamentos, foi parar numa competição verdadeira (Fórmula 1) e, claro, perdeu a cabeça."

Nelsinho reclamava de tudo, dizia que era o melhor de todos, afirmou o italiano. "É um rapaz cheio de problemas e nunca apresentou bom desempenho", insistiu. "Errei ao acreditar que era um piloto especial."

O brasileiro enviou um relatório à FIA, no dia 30, a respeito do que ocorreu no GP de Cingapura de 2008. Conta que Briatore e seu diretor de engenharia, Pat Symonds, o chamaram para pedir que causasse um acidente na corrida a fim de provocar a entrada do safety car na pista e beneficiar seu companheiro, Fernando Alonso.

A imprensa mundial deu grande destaque à versão de Nelsinho. "É desrespeito a uma empresa como a Renault todas essas acusações sem que haja defesa. Respeitamos o que a FIA nos pediu, que ficássemos calados até a reunião do Conselho Mundial (dia 21)", comentou Briatore. De acordo com o dirigente, os Piquet, pai e filho, vão se entender, agora, com a Justiça francesa. "Antes da batida em Cingapura, Nelsinho já havia sofrido 17 acidentes."

Briatore reuniu-se com o presidente mundial da Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, e a empresa decidiu processar os Piquet por "chantagem, difamação e calúnia". "Vamos até o fim, pois temos provas." E boas provas é o que Nelsinho não tem para comprovar sua história.

O chefe da equipe, transtornado, ainda deu a entender que Nelsinho é homossexual. "Ele vivia com um senhor de uns 50 anos num apartamento em Oxford. Não se sabe que tipo de relação possuíam. Seu pai (Nelson Piquet) estava preocupado e me pediu para intervir." Briatore disse que só citou o fato por estar sendo acusado por Nelsinho de ter interferido até na relação com pessoas próximas.

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