Briga de grandes

Foi mais um dia de poucos gols, mas pelo menos de muitas emoções. Os Estados Unidos se classificaram no último minuto contra a Argélia, com um gol de seu líder, Donovan, e ficaram em primeiro lugar do grupo C. A Inglaterra, de quem se esperava essa colocação, melhorou, apesar da vitória simples sobre a Eslovênia. A Alemanha teve mais dificuldades contra Gana, mas conseguiu passar em primeiro do grupo D. E Gana, apesar da derrota, se classificou em segundo ? provavelmente a única seleção africana a passar. Os desclassificados até agora foram França, África do Sul, Grécia, Nigéria, Argélia, Eslovênia, Sérvia e Austrália. Ou seja, nada surpreendente.

Daniel Piza, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

O futebol pode ser imprevisível, mas não é ilógico. A Inglaterra tem de enfrentar a Alemanha agora por seus próprios erros. O trio em que se sustenta, Lampard, Gerrard e Rooney, chegou em bons momentos de sua carreira, mais maduros e entrosados. No entanto, tal expectativa parece ter pesado, em especial sobre o camisa 9, que ontem mais uma vez desperdiçou gols que vinha fazendo quase automaticamente na Liga Inglesa, como se tomasse cerveja na área. E sua situação não é a mesma de Messi, que também não tem acertado o gol, mas tem inebriado as defesas adversárias.

Mesmo assim, como dizia o outro, clássico é clássico e vice-versa e a Alemanha se engana se acha que está muito melhor que a Inglaterra. Podolski, que começou bem, parece não querer assumir a responsabilidade da camisa 10; e Cacau não substituiu bem Klose. Sobrou para o competente Özil resolver, com um belo chute que provou que o problema de jogadores como Messi, Rooney e Podolski não é a Jabulani. O time alemão está mais "encaixado", pois vários participam das jogadas de defesa e ataque; mas a Inglaterra tem espaço para crescer, ainda mais provocada por um adversário desse porte. EUA x Gana é outro jogo difícil de antever, embora os americanos sejam mais arrumados em campo.

A ausência de gols na Copa incomoda, mas, repito, não tem sido causada por retrancas. Os quatro jogos de ontem foram abertos, com muitas finalizações. Só que a mediocridade técnica vem dando o tom. Hoje se podem esperar mais jogos muito disputados. A Itália atrai maior atenção, por estar com uma geração em transição (como a França, mas aparentemente sem a mesma cizânia interna), e o Paraguai pega a fraca Nova Zelândia. Se ficar em primeiro, é grande a chance de que a Itália tenha pela frente a Holanda, o que seria outro clássico já nas oitavas. A Holanda enfrenta Camarões, desclassificado, e tem muitos jogadores de talento. Poucas zebras apareceram até aqui, mas alguns dos grandes cairão em breve. Melhor para o Brasil, se o Brasil mostrar a mesma fome de bola do domingo. E lembrar que seus inimigos estão no campo, não fora dele.

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