Briga de ''sindicalistas'' é atração extra na decisão

Rivais, Ratto e Marcelinho atuam em defesa da categoria

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Dentro de quadra, Ratto e Marcelinho Machado são, incontestavelmente, líderes do Universo/Brasília e do Flamengo - equipes que, hoje, fazem a 4ª partida da final do Novo Basquete Brasil (NBB), às 12 horas, no Distrito Federal. Fora da área de jogo, contudo, o armador e o ala trabalham juntos pela classe. Os dois são presidente e vice, respectivamente, da recém-fundada Associação dos Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPBB).A entidade foi criada, oficialmente, no dia 9 de maio, em São Paulo - pelo menos 40 atletas já estão inscritos. Mas a ideia da associação já vinha de algum tempo, conta o presidente Ratto, de 40 anos, o atleta mais velho da NBB. "Houve uma tentativa em 2005, mas, no dia da reunião, não havia o número suficiente de pessoas." O período de quatro anos que separa o surgimento da intenção e a efetivação da entidade não é casual. Naquela época surgia a Nossa Liga de Basquete, liderada por Oscar Schmidt, a primeira tentativa de organização de um campeonato nacional pelos clubes, sem a interferência da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). "Assim como agora, também já se falava muito sobre o papel dos jogadores e da CBB. Achamos que poderíamos fazer alguma coisa. Infelizmente, não deu certo", lembra Ratto.Para Marcelinho, eleito vice-presidente, o clima de mudança trazido após a criação da Liga Nacional de Basquete, organizadora do NBB, motivou a retomada. "Aproveitamos que a ideia de mudança está na cabeça de todo mundo", avalia o ala, cestinha do campeonato. "Estamos tentando nos consolidar como classe. Muita coisa ainda pode ser melhorada."Agora, os atletas começarão a brigar por direitos fundamentais, mas nem sempre respeitados. Como o pagamento de salários, por exemplo. Marcelinho sabe bem o que é não receber pelo trabalho realizado. Afinal, o Flamengo passou boa parte do ano sem honrar seus compromissos. Hoje, atesta o ala, todos os vencimentos foram pagos - graças ao patrocínio da Cia. do Terno, que injetou R$ 400 mil na equipe -, mas os jogadores ainda não receberam as premiações pelas conquistas do Nacional de 2008, do Estadual de 2008 e da Liga Sul-Americana deste ano. "Mas também temos de brigar por um contrato de trabalho padrão, planos de saúde e estrutura adequada", admite Marcelinho. "Muitas vezes jogamos em quadras com piso inadequado ao basquete."O principal desafio da AAPBB, contudo, é manter o engajamento dos associados, separados geograficamente e ocupados com os compromissos de suas equipes. "A internet será nossa aliada", afirma Ratto. "Vamos poder fazer videoconferências, por exemplo." Até por essas dificuldades, o presidente já prevê a profissionalização da entidade. "Queremos contratar um gestor que possa cuidar de tudo."

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