Britânicos negociaram benefícios com comitê

Os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, provaram que o COI nem sempre tem a última palavra em disputas que envolvem o evento. A Associação Olímpica Britânica chegou a levar à Corte Arbitral dos Esportes um caso contra o Comitê Organizador dos Jogos por conta da divisão dos lucros.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

No Brasil, COB e Comitê Organizador dos Jogos são basicamente a mesma entidade, ambas presididas por Carlos Arthur Nuzman. No Reino Unido, porém, a administração é separada.

A Associação Britânica (equivalente ao COB) questionava se os custos para organizar os Jogos Paraolímpicos deveriam ser incluídos nos cálculos dos lucros das Olimpíadas de 2012. A disputa, como estabelecia o contrato entre o COI e Londres, poderia ser resolvida apenas pelo COI, que teria a última palavra.

A Associação tem direito a 20% dos lucros dos Jogos, calculado a partir do superávit final. Mas para aumentar seus dividendos, não queria que os custos dos Jogos Paraolímpicos fossem incluídos. Isso, na prática, reduziria o superávit final e faria com que a participação de 20% fosse bem menor. O COI deu seu parecer, que era desfavorável à Associação Olímpica Britânica. Para o Comitê, os custos da Paraolimpíada deveriam ser considerados. Não satisfeita, a Associação decidiu ignorar a decisão do COI. O caso foi parar na Corte Arbitral dos Esportes, em Lausanne, na Suíça. Jacques Rogge, presidente do COI, ficou furioso.

No mês passado, a Associação finalmente fechou um acordo com o Comitê Organizador e abandonou o caso. Mas, graças à ameaça, conseguiu uma série de vantagens. A primeira foi de que não seriam cobrados royalties sobre alguns dos produtos vendidos pela entidade. Além disso, ganharia ingressos extras para as competições nos Jogos de 2012 para que pudesse vender ou distribuir. Para completar, o Comitê Organizador dos Jogos se comprometeu a buscar patrocínios para a Associação entre os anos 2013 e 2016.

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