Bronca de Oscar é com os dirigentes

Magoado com a diretoria do São Paulo, meia diz que não tem nada contra o clube, mas deseja ficar no Internacional

WAGNER VILARON, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h08

Faz quase dois anos que o garoto Oscar protagoniza briga nos tribunais contra o São Paulo. Mas a bronca do jogador, atualmente no Internacional, não é com o clube. O alvo da desavença são os dirigentes tricolores. "Não tenho nada contra o São Paulo. Voltaria a jogar lá. Só não trabalho mais com essa diretoria que está aí", afirmou o atleta.

Oscar se mantém firme no discurso revelado ao Estado em 2009, quando manifestou seu descontentamento com o comportamento da direção são-paulina, situação que deu início ao processo que corre até hoje na Justiça paulista. "Não foram corretos comigo, quando me deixaram escondido na Espanha. E também com a minha mãe, pois pressionaram ela para fazer minha emancipação", explicou.

Na opinião do meia, o clube aproveitou-se da simplicidade e inocência de sua família para forçar sua emancipação e, assim, "amarrá-lo" com um contrato de cinco anos. O São Paulo nega tal pressão e argumenta que todo procedimento foi realizado de maneira legal e consensual. "Trata-se de um contrato de trabalho feito com base em todos os princípios legais que regem a relação empregador/empregado", explicou o advogado do clube, Carlos Ambiel.

Conflito. Alegando atraso de pagamento e pressão para forçar sua emancipação, o que lhe daria condição de assinar contrato quando ainda era menor de idade (tinha 16 anos), Oscar entrou na Justiça contra o São Paulo no final de 2009. A juíza Eumara Nogueira Borges Lyra Pimenta, da 40.ª Vara do Trabalho de São Paulo, acatou o pedido, decisão que permitiu a transferência para o Internacional.

Na quarta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou recurso do São Paulo e concluiu, por unanimidade, que o segundo contrato (de cinco anos) é válido e deve ser cumprido. Para Ambiel, a decisão é suficiente para que o atleta se apresente de volta no Morumbi. "Temos uma relação de trabalho como qualquer outra. Ele, como funcionário, tem a obrigação de comparecer para trabalhar, e o clube tem a obrigação de remunerá-lo", explicou o advogado são-paulino.

Irredutível. Oscar, por sua vez, não dá sinais de que vai aceitar o último parecer da Justiça com tranquilidade. O garoto promete reagir. "Conversei com meus advogados sobre a última decisão da Justiça. Assim que tomarmos conhecimento de todos os fatos, vamos sentar e decidir que posição seguir", observou após conversa com o advogado André Ribeiro. "O que posso falar neste momento é que esta não é uma decisão de última instância, segundo me explicaram os advogados, e podemos recorrer."

"A decisão será publicada no Diário Oficial do dia 17. A partir daí temos um prazo para entrarmos com o recurso, que será feito", explicou Ribeiro.

Enquanto isso, Oscar foi a campo na quinta-feira com a camisa do Inter, fez gol e não escondeu sua vontade. "Quero continuar aqui (em Porto Alegre)."

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