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Bronze no Pan, Joanna Maranhão admite duas tentativas de suicídio

Atleta de 28 anos, que vai para a 4ª Olimpíada, sofreu abuso aos 9

O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2015 | 17h16

Medalha de bronze no Pan de Toronto, a nadadora Joanna Maranhão admitiu ter tentado suicídio não uma, mas duas vezes. Ela confessou parte de sua vida de atleta e cidadã em entrevista da revista TPM deste mês. Joanna se prepara para a Olimpíada do Rio, que vai encerrar sua carreira. Ela disputou seu primeiro Pan aos 12 anos. Tem 28.

"Tentei me matar duas vezes. A segunda vez foi em 2013. Eu já estava bem em relação ao abuso, mas meu posicionamento político tinha causado muitos problemas financeiros para a minha família. E é um gatilho, uma coisa chama a outra", disse. O abuso a que se refere chocou o Brasil. Joanna Maranhão tornou público o fato de ter sido abusada sexualmente aos 9 anos. Aos 19, tentou o suicídio pela primeira vez.

Segundo ela, toda vez que comenta sobre isso, se torna mais forte e se sente mais livre. "Falar disso é uma libertação", disse. A nadadora aprendeu cedo a brigar pelo que acha justo. É uma atleta de temperamento forte e opinião firme. Também é obstinada na piscina. Era uma das 'veteranas' do Brasil no Pan do Canadá. 

Para a revista, Joanna conta ainda que bateu de frente com cartolas da política desportiva e teve de pagar um preço por sua coragem. "Com a natação, consegui comprar apartamento e um carro, e hoje não tenho mais nada, vendi tudo por causa de dívidas". No Rio, a nadadora vai para sua quarta olimpíada. Não é para qualquer um. "Vai ser minha quarta Olimpíada e terei vivido plenamente a vida de atleta."

No Canadá, ela foi uma das competidoras que defenderam a continência militar no pódio. O assunto deu o que falar, porque nem todos os atletas do País têm vínculo com o Exército. Ela entrou para as Forças Armadas em 2009, com contrato de oito anos. Em 2016, deixará de ser uma militar. "O Exército sempre me deixou livre para fazer a continência ou não", revelou ao afirmar também que passou a respeitar mais o hino nacional após se tornar militar. Joanna morou dois meses na Fortaleza de São João, no Rio, onde o Brasil terá seu 'quartel-general' durante os Jogos de 2016.

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