Bruno diz que derrota doerá pra sempre e Serginho chora

A seleção ficou com a medalha de prata após perder por 3 sets a 2 para a Rússia

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2012 | 12h34

A incrível virada sofrida para a Rússia abalou profundamente a seleção brasileira masculina de vôlei. Ao término da decisão olímpica neste domingo, os jogadores buscavam encontrar qualquer explicação para a derrota por 3 sets a 2. Era em vão. O levantador Bruno, com olhar incrédulo, garantiu que o resultado doerá para o resto da vida. Chorando, Serginho disse que não havia o que ser dito.

A seleção esteve extremamente próxima de conquistar o terceiro ouro olímpico de sua história. Vencia por 2 a 0 e liderava aquele que poderia ser o set decisivo por 22 a 19. Teve dois match points. Mas não fechou o jogo.

Um dos jogadores mais abalados com o resultado era Serginho, que escancarou sua decepção em lágrimas e em palavras de incredulidade. "É inexplicável. Ganhar ou perder faz parte do processo, mas não tem o que falar num jogo desse. Não adianta. É levantar a cabeça agora".

Para Bruno, a inexplicável derrota marcará os jogadores brasileiros por um longo tempo. "Nós perdemos o ouro, essa é a verdade. Agora é aprender a viver com as consequências. Estava tão perto, o time estava jogando bem", lamentou o levantador brasileiro. "Lutamos muito, a equipe se superou em certos momentos, mas depois de um jogo como esse fica difícil falar. Vai doer pro resto da vida. É esperar que essa ferida se cicatrize, pois ela ficará um bom tempo aberta".

Buscando explicar a derrota sob um ponto de vista tático, Bruno até citou a mudança promovida pelo técnico adversário durante a partida, ao deslocar Muserskiy para a função de oposto. Mas disse que, ainda assim, era difícil entender. "Lógico que a mudança afetou, mas a gente teve as chances e não aproveitou. Não tem o que falar. A ficha não caiu, não tem explicação. Agora é enfrentar isso tudo de frente".

O meio-de-rede Lucão, por sua vez, também citou a mudança de Muserskiy como uma das razões para a vitória russa. Ponderou, entretanto, que essa era uma alteração já conhecida e que os brasileiros se perderam na ansiedade. "A gente percebe que no vôlei não tem ninguém morto. Eles colocaram o Muserskiy de oposto, que começou a virar a bola. Todo mundo já tinha visto ele jogar de oposto. Mas a virada de bola começou a entrar e ficamos ansiosos", lamentou.

Outra tentativa de explicação veio com Ricardinho, ao lembrar que o Brasil ficou sem um oposto reserva após a contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final. "Depois da lesão do Leandro, ficamos sem um oposto. Precisávamos de todo mundo, fiquei dormindo pensando nisso, na falta que ele fez", afirmou o levantador reserva.

Ainda assim, ele procurou exaltar o feitos obtidos por essa geração, que conquistou o ouro olímpico em 2004 e a prata em 2008. "É uma geração maravilhosa, que o Brasil curtiu. Quem viu, viu. Tem momentos que precisamos fazer escolhas. Tenho muito orgulho", definiu Ricardinho.

Com 36 anos e uma passagem marcante pela seleção, Serginho falou em tom de despedida. E fez um pedido para a futura geração. "Foram 12 anos dedicados ao vôlei. E quem for vestir essa camisa agora que vista com carinho. Precisa de carinho, precisa honrar, como todos honraram agora, apesar da derrota".

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