Bazuki Muhammad/Reuters - 8/4/2011
Bazuki Muhammad/Reuters - 8/4/2011

Bruno Senna já pensava em correr na Nascar

Brasileiro reconhece ser difícil receber um convite no meio da temporada do Mundial de F-1

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h04

CINGAPURA - Se depender apenas de vontade, Bruno Senna vai reverter a expectativa a princípio desfavorável da Renault no GP de Cingapura. Ontem, no circuito Marina Bay, um dos mais lindos do Mundial, Bruno foi um dos raros pilotos que trabalharam visando às desafiadoras 61 voltas da única corrida noturna da Fórmula 1. A prova, 14.ª do calendário, pode dar ao jovem Sebastian Vettel, da Red Bull, o bicampeonato.

As pistas de Mônaco e da Hungria guardam semelhanças com os 5.073 metros do traçado de Cingapura, com suas curvas lentas em sequência. E tanto Vitaly Petrov quanto seu companheiro de Renault, na época, Nick Heidfeld, não chegaram nem sequer a disputar a parte final nos dois treinos classificatórios, o chamado Q3. "Mas a equipe não parou de investir no desenvolvimento e trouxemos para cá importantes mudanças", disse, ontem, Bruno, animado.

Seu entusiasmo depois de duas boas apresentações para quem estava sem disputar uma prova há quase um ano é evidente. "Eu me reuni com os engenheiros para cruzar os dados que obtivemos neste ano com os de 2010 para ver o que podemos fazer para melhorar o carro em pista de rua", explicou o piloto. "Será um fim de semana difícil para mim, a primeira vez com o carro da Renault num circuito desse tipo. A cada volta vou ter de aprender tudo bem rápido."

A iniciativa de tentar encontrar formas de tornar o carro da Renault mais eficiente revela o interesse de Bruno de permanecer na Formula 1. "Há apenas 40 dias minha perspectiva era muito ruim. Já estava planejando viajar para os Estados Unidos a fim de conhecer a Nascar, talvez correr com o Nelsinho por lá", contou Bruno. "De repente, as coisas foram virando. É muito difícil ter uma oportunidade como a que estou tendo no meio da temporada", declarou o sobrinho do tricampeão Ayrton Senna. O importante é fazer os resultados para poder continuar aqui em 2012."

Se na Bélgica e na Itália Bruno pôde arriscar um pouco para conhecer os limites dos pneus Pirelli, novidade para ele, em Cingapura, lembrou, a realidade é outra. "O muro está bem perto. E tudo o que preciso é me manter na pista. A cada volta aprendo um pouco. Corro porque gosto. Não corro pensando no que os outros vão pensar de mim."

O primeiro treino livre do GP de Cingapura começa às 7 horas desta sexta-feira, horário de Brasília.

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