Bruno Senna recebe a maior chance da carreira

Brasileiro é confirmado pela Renault como piloto no GP da Bélgica, deve correr em Monza e, se for bem, vai permanecer

Livio Oricchio,

25 de agosto de 2011 | 01h26

Da decisão tardia de tornar-se piloto, há apenas seis anos, até hoje, a oportunidade de disputar o GP da Bélgica pela Renault é a melhor da carreira de Bruno Senna. O anúncio oficial foi feito ontem no fim da tarde, pelo horário europeu.

Segundo Stephane Samson, chefe de imprensa da Renault, Nick Heidfeld, alemão que Bruno vai substituir, ameaçou ir à Justiça. Não para garantir a vaga, perdida pela completa ausência de clima para ele no time, mas para sair com mais dinheiro da F-1. Isso ele conseguiu. Aos 34 anos, definido por Eric Boullier, chefe da equipe, como "um piloto fraco", Heidfeld sabe que seu rumo é o Campeonato Alemão de Turismo (DTM).

Bruno já foi escalado pela FIA para a entrevista coletiva de hoje, em Spa-Francorchamps. Terça-feira à noite, os advogados de Heidfeld e da Renault buscavam solução para o impasse na sede inglesa do time, em Enstone. A discussão se estendeu até ontem.

Aos 21 anos, Bruno decidiu enfrentar a resistência da família e informar a mãe, Viviane, de seu desejo de iniciar a carreira de piloto. A perda do tio, Ayrton Senna, dez anos antes, quase excluiu o automobilismo da família. Gerhard Berger, amigo de Viviane, organizou teste para Bruno na F-BMW - era diretor esportivo da montadora.

"Levei um choque, caí sentada quando o Berger me disse que o Bruno tinha jeito para a coisa", contou Viviane em entrevista, em 2007. "A partir daí, passei a apoiá-lo."

A diretora do Instituto Ayrton Senna conta também que estava em Miami para uma palestra sobre o trabalho do instituto quando foi tomada por vibração muito elevada. "Senti como uma mensagem para não atrapalhar a carreira do Bruno."

Avaliação. O futuro do sobrinho de Ayrton Senna na Fórmula 1 está relacionado ao desempenho nas duas próximas etapas do Mundial, marcadas para Bélgica e Itália. O anúncio de ontem referiu-se só à corrida de Spa, mas pelo menos até Monza Bruno deverá continuar na Renault. Depois, o brasileiro dependerá do que produzir. A última vez que disputou um GP foi em novembro passado, em Abu Dabi, pela pouco estruturada Hispania.

Há um piloto pronto para entrar na vaga caso Bruno se saia mal. É o francês Romain Grosjean, com boas chances de ganhar o título da GP2 já no fim de semana, em Spa-Francorchamps, na penúltima prova da calendário. E Boullier não esconde que quer revê-lo na F-1. Quando substituiu Nelsinho Piquet na mesma Renault, em 2009, ele não correspondeu.

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