Bruno Soares tenta ser protagonista na Davis

Brasileiro é especialista em duplas e como jogou sempre com estrangeiro foi pouco aproveitado na competição mundial

Giuliander Carpes / KAZAN, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h00

São 19h15 em Kazan. A delegação brasileira da Copa Davis marcou de se reunir no lobby do hotel em que está hospedada para o jantar oficial do confronto com a Rússia, que começa amanhã. Apenas o duplista Bruno Soares cumpriu o combinado e desceu do quarto vestindo terno, situação com a qual os tenistas não costumam se sentir muito confortáveis. Os outros ainda não haviam dado as caras.

A cena dá uma ideia do que leva o tenista mineiro, de 29 anos, a assumir um papel de liderança do time que tenta pela sexta vez consecutiva voltar à elite da competição através da repescagem: a disciplina e o comprometimento.

Foi assim que o jogador, que acabava nem sendo convocado há uns anos porque fazia dupla com um estrangeiro e não tinha respaldo da comissão técnica, virou o principal duplista da equipe e homem de confiança do capitão João Zwetsch. Às vezes, é o próprio Bruno que faz o papel de treinador em quadra.

"Apesar de ter começado a jogar efetivamente o torneio mais tarde, sempre vivi Copa Davis. Sempre quis estar no time, acompanhei de perto como parceiro de treinos desde meus 18 anos. Estou só no meu sexto confronto, mas já tenho uma bagagem, estou vivendo essa realidade há muitos anos e consigo passar alguma coisa para os mais jovens", diz o jogador, 22.º do ranking mundial de duplistas.

Só com muito comprometimento para ser duplista, aliás. O circuito é exigente e, como acaba fazendo papel de coadjuvante para as disputas de simples, paga premiações bem menores - que ainda precisam ser divididas entre os dois atletas -, joga em horários e quadras menos prestigiados. No US Open, onde bateu com Marcelo Melo a dupla mais incensada da atualidade, os irmãos Bryan, donos de 11 títulos de Grand Slam, a parceria poderia ter lucrado US$ 420 mil em caso de título. O campeão Novak Djokovic saiu de Nova York, com US$ 1,8 milhão só para ele.

"A rotina do duplista é um pouco mais difícil. Tem mais desgaste. Com o Marcelo é tranquilo porque a gente se conhece há muito tempo, então não temos esse problema fora de quadra", explica Bruno. "Mas a gente tenta economizar. Agora temos apoio, mas nem sempre foi assim. Em Grand Slam, por exemplo, que eles nos dão dinheiro para hospedagem, normalmente ficamos num quarto só, para economizar."

Da equipe, ele é o único que já esteve no Grupo Mundial. Sua primeira convocação foi em 2000, quando a equipe foi derrotada pela Austrália mesmo com Gustavo Kuerten como número 1 do mundo e Fernando Meligeni em boa fase. "O Brasil nunca ganhou um confronto fora de casa num piso desses. Antes de dormir bate aquela vontade de ganhar e fazer uma vitória marcante para o tênis brasileiro."

Academia dos jogos é de alto nível

A equipe brasileira da Copa Davis esperava enfrentar um cenário adverso em Kazan. Mas se surpreendeu. Foram bem recebidos pelos russos, a estrutura da academia onde será disputado o confronto da repescagem é excelente e o piso das quadras está menos rápido e perigoso do que o esperado. O duelo começa amanhã, às 8 horas, de Brasília.

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