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Antero Greco
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Bruxas existem...

A garotada não sei. Mas a turma veterana, dos tempos da concha acústica no Pacaembu, conhece o ditado espanhol de tradução facílima, que dispensa até conferida no são Google: "No creo en las brujas. Però que las hay las hay". Forma meio gaiata de mostrar ceticismo quanto a existência de forças do além e, ao mesmo tempo, não negá-las. Em versão nacional equivale a: "Não acredito em macumba. Em todo caso, não mexo num despacho".

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2014 | 02h02

Pois digo que, em futebol, creio em tudo - de bruxas a duendes, de pais de santo a benzedeiras, de feitiço a olho gordo. Sem contar, claro, em juiz atrapalhado, em bandeirinhas distraídos e em olheiros (os moços que ficam na linha do gol) que não se comprometem. A função exata deles até hoje provoca controvérsias. Boto fé em superação, também.

Isto posto, caro leitor dominical, afirmo que não sou maluco de cravar que Santos e Palmeiras voltam para casa, no final da tarde e no início da noite, respectivamente, com os bilhetes garantidos para a disputa do título paulista de 2014. Ambos são pra lá de favoritos, diante de Penapolense e Ituano. O bom senso, a lógica, a obviedade empurram qualquer prognóstico na direção dos dois gigantes. Tão disparatadas as campanhas que o cronista pode parecer cretino, se disser o contrário.

Mas, depois do que Corinthians e São Paulo viveram recentemente, dou-me o direito de fazer ressalvas nessa conversa de candidatos ao título. A categoria de santistas e palestrinos é maior; em proporção idêntica, a responsabilidade de ambos. E o tombo, se ele vier, como já ocorreu com os dois rivais, doerá. Por isso, não espanta se houver sortilégios espalhados por aí.

Esse negócio é mais sério do que a gente pensa. Antes de escrever a crônica, tive a precaução (na verdade, cara de pau) de consultar dois torcedores que não brincam em serviço, em jogo decisivo. O Nilsão Pasquinelli, diagramador do Estadão de sangue verde, recorreu a Santo Expedito, fitinha do Senhor do Bonfim e a uma figa ("Sempre é bom variar") para nada sair errado.

O doutor Paquetá Almeida, médico tarimbado, peixeiro que perdeu a conta do número de sandálias de dedo que atirou no gramado da Vila em momentos de desespero, já espalhou coleção de santinhos à frente da tevê de plasma ("Eu queria pôr em cima, mas esses aparelhos são fininhos"), segundo tradição enraizada na família desde a final do Mundial de 1963 com o Milan.

Para os céticos de verdade, a maior feitiçaria pode vir de Santos e Palmeiras mesmo, sob o nome de presunção. Ambos têm consciência da força e do fato de que enfrentam franco-atiradores. O Santos coleciona campanha vibrante até o momento: 12 vitórias, 3 empates e só uma derrota. O ataque fez 43 gols, disparadamente o mais objetivo. A defesa levou 16. O Penapolense se apresenta com 6 vitórias, 2 empates e 8 derrotas, fora os 14 gols que marcou e os 17 que levou. Saldo negativo.

Mas eis o nó: foi o único a bater o Santos, e com autoridade, nos 4 a 1 do dia 16 de fevereiro. Isso Oswaldo de Oliveira levou em conta e passou para os rapazes. Clara advertência de que a zebra já passeou. O treinador pode reforçar mais o meio e mexer na frente, como o repórter Sanchez Filho mostrou ontem: Geuvânio, por um lado, Rildo por outro e Thiago Ribeiro (ou Leandro Damião) é uma formação possível. Narciso, o bruxo do Penapolense, aposta no conjunto aguerrido. Não é pouco.

O Palmeiras segue o Santos de perto nos números: 12 vitórias, 2 empates e duas derrotas, com muito equilíbrio entre ataque (29 gols) e defesa (só 13 contra). Mesmo assim, Gilson Kleina tem preocupações: o tornozelo de Valdivia é a principal delas. Em seguida, o número (7) de pendurados com dois amarelos. A ansiedade pode ser fator adversário adicional.

O Ituano, em si, já é suficiente para dar dor de cabeça a Kleina. Econômico na hora de marcar (16 gols) e sovina na hora de abrir-se (só 10, defesa mais consistente). Não é à toa que venceu 8 jogos, empatou 5 e perdeu 3. Tem jeito de pênaltis? Tem.

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