Burocracia joga a favor da violência

Legislação e demora na aprovação de projetos favorecem os briguentos

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

Para tentar apaziguar os ânimos entre as torcidas organizadas, o Ministério Público Estadual recorreu, mais uma vez, à proibição da entrada de sócios das agremiações nos estádios paulistas, desde que caracterizados. Sem a indumentária - uniforme, faixas e bandeiras -, o organizado vira torcedor comum. E não pode ser proibido de acompanhar seu time.Em resposta aos críticos da medida, que atinge a Mancha Alviverde e a Tricolor Independente até o fim do Campeonato Paulista, o promotor Paulo Castilho admite: a falta de legislação não permite ações mais drásticas. ''Faço o possível, mas várias coisas não são atribuições minhas. Não aprovo nem sanciono lei.''O promotor se refere, principalmente, ao anteprojeto de lei enviado ao Executivo em novembro passado, que prevê a tipificação penal de uma série de delitos ligados a eventos esportivos - envolver-se em brigas dentro de arenas, como aconteceu com os membros da Mancha no domingo, em Ribeirão Preto, seria crime com pena de reclusão de até 3 anos. O texto foi enviado ao Ministério do Esporte, recebeu parecer favorável, e aguarda análise do ministro da Justiça, Tarso Genro. Está, portanto, parado na burocracia do Estado.Com a lentidão do processo, Castilho quer dizer pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a urgência do projeto. Para conseguir falar com o líder, tem contado até com a ajuda do técnico Vanderlei Luxemburgo. ''Ele está tentando, por meio do Luís Cláudio (filho mais novo de Lula, que é auxiliar de preparação física do Palmeiras), uma audiência com o presidente.''Além disso, Ministério Público e Federação Paulista têm dificuldade na conclusão do processo de cadastramento dos torcedores das organizadas. O Ministério do Esporte já liberou verba de R$ 1,5 milhão para a compra de equipamentos, mas a dificuldade está no cruzamento de dados dos cadastrados com as informações da Polícia Civil. Para a conclusão do trabalho, as entidades esperam uma resposta da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

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