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Burundi, Butão, Vanuatu, Lesoto e como é possível vencer sem chegar ao pódio no Mundial

Da desclassificação por atraso ao recorde continental: o aprendizado de países que engatinham no esporte paralímpico

João Prata, enviado a Dubai, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 06h02

Se olhar o quadro de medalhas de baixo para cima vai ser mais fácil de encontrá-los. Burundi, Butão, Guiné, Georgia, Lesoto, Malawi estão todo lá, em ordem alfabética, zerados. São países que só o fato de disputar o Mundial de Atletismo de Dubai foi uma tremenda vitória. Um triunfo conquistado com a colaboração de uma parceria entre o Comitê Paralímpico Internacional e Toyota.

Nos Emirados Árabes, estiveram presentes atletas de 14 países que participam do Programa de Desenvolvimento dos Comitês Paralímpicos Nacionais. Nenhum deles conseguiu subir no pódio, mas voltam para casa com a experiência de competir ao lado de recordistas mundiais. O aprendizado vai de um nível bem básico mesmo, como o caso de uma competidora de Burundi que disputaria os 100m, 200m e 400m. Ela estava menstruada e não se sentia bem. Então, simplesmente não compareceu na prova. Seu técnico não informou a organização da desistência e por isso ela foi desclassificada das outras disputas.

O atleta do Malawi chegou atrasado nas eliminatórias dos 200m, depois do tempo permitido para receber as instruções finais e foi desclassificado. Houve contestação do país, indignação, mas não havia o que fazer. Fica o aprendizado para a próxima. Também há exemplos de superação, de resultados significativos.

A atleta Korotoumou Coulibaly, de 36 anos, de Mali, quebrou em Dubai o recorde africano do lançamento do disco da classe F-55. "Quero ser útil para minha comunidade. Foi a primeira vez que uma atleta de Mali conseguiu um recorde, então vou fazer de tudo para mantê-lo e se possível melhorá-lo. Coulibaly compete como cadeirante por causa de um problema congênito nas pernas e é fã de Ronaldinho Gaúcho. "Na história do futebol acho que ele é o atleta mais técnico do mundo, por isso sou fã", comentou.  

De Vanuatu, um país formado por 80 ilhas no sul do Oceano Pacífico, Elie Enock fez a melhor marca de todos os tempos entre as atletas da Oceania no arremesso de peso F-57 (cadeirante) - ela é amputada da perna esquerda. "Vanuatu tem muitas pessoas com deficiência que não saem de casa porque há muita discriminação. Para mim, sair do país e praticar o arremesso de peso quero mostrar a essas pessoas que mesmo com algum tipo de deficiência, mesmo sendo mulher, é possível fazer algo. Estou muito feliz de vir a Dubai conheceu outros atletas, estar em meio aos campeões. Isso me ajuda a ficar mais forte para treinar mais."

O programa de desenvolvimento dos Comitês Nacionais começou em 2017 e terminará em 2024, pegando dois ciclo paralímpicos. A intenção é formar nos países uma base sólida para desenvolvimento do esporte e formar atletas de alto rendimento. Indiretamente ajuda a diminuir o preconceito nos países, como aconteceu em Vanuatu, por exemplo, e empodera quem muitas vezes fica à margem da sociedade.    

Nos dois primeiros anos, o programa beneficiou 143 atletas e treinadores de 29 países, capacitou 347 profissionais técnicos do esporte de 78 países treinados. Os números de 2019 ainda não estão consolidados. Até agora, 175 atletas e 98 treinadores de 90 países contaram com o apoio dessa parceria. A meta até 2024 é beneficiar 140 países.

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