Button exibe supremacia na chuva

Atual campeão vence na China e assume a liderança do Mundial. Massa cai para 6º lugar na classificação

Livio Oricchio, enviado especial em Xangai, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

Gostinho especial. Button celebra, em Xangai, sua 2ª vitória consecutiva na temporada, à frente do companheiro Hamilton

Campeonato muito disputado, como o deste ano, é assim: em uma etapa o piloto e a equipe estão na frente, enquanto, já na seguinte, várias colocações atrás. A vitória impecável de Jenson Button, da McLaren, ontem, no GP da China, como havia feito também na Austrália, no seco e no molhado, o lançou à liderança do Mundial. Já o fraco desempenho de Felipe Massa, da Ferrari, o fez cair do 1.º para o 6.º lugar.

Se pudesse, Bernie Ecclestone, promotor da F-1, mandaria instalar um esguicho de água em cada curva dos circuitos do calendário. As provas em Melbourne, dia 28, e Xangai, ontem, estão dentre as mais emocionantes do seu evento. Principalmente porque choveu durante a corrida.

A exemplo da escolha acertada dos pneus na Austrália, Button decidiu não parar nos boxes, ontem, para substituir os secos pelos intermediários, ainda na segunda volta, como fez a maioria. Isso se mostrou decisivo para conquistar sua segunda vitória na temporada, em apenas quatro etapas realizadas. Não poderia, porém, errar. Quando o que se exige é regularidade Button não decepciona ninguém.

"Toda conquista é maravilhosa, mas essa é especial", afirmou o atual campeão do mundo, agora com 60 pontos, diante de 50 de Nico Rosberg, da McLaren, 3.º na China. Michael Schumacher, seu parceiro, terminou em 10.º. Especial para Button em razão de, mais uma vez, contrariar o que no seu próprio país se dizia: seria destruído pelo companheiro de McLaren, Lewis Hamilton. Em Xangai, Hamilton ficou em 2.º, atrás de Button.

Mas o jovem inglês deu um show: no fim da terceira volta (a prova teve 56), com as paradas para a primeira troca de pneus, Hamilton caiu para 14.º. A partir daí, mostrou o superpiloto que é também. Explicou o motivo de não ter se mantido na pista, como Button, no início. "Eu não entendi direito a comunicação da equipe, por rádio. Estava próximo da entrada do box e achei que a ordem era para entrar. Virei o volante no último momento." Button, provavelmente, ganhou a corrida justamente aí.

Mas Button precisou, ainda, de outra ajudinha: Rosberg liderava, também sem substituir pneus, até cometer um erro, permitir a aproximação de Button e a ultrapassagem. Sua Mercedes não tinha, contudo, o ritmo da McLaren. "Demos um grande passo com as mudanças introduzidas aqui. E, para Barcelona, serão ainda maiores. Reduzimos a diferença para os adversários."

A próxima etapa do campeonato será o GP da Espanha, dia 9, e todos vão apresentar importantes novidades nos carros.

Além de Hamilton, a prova em Xangai teve outro piloto que ultrapassou quase todos que apareciam à sua frente: Fernando Alonso, da Ferrari. Sua largada parecia ter sido fenomenal, mas se antecipou aos faróis apagarem. "Foi inadmissível. Eu treino, me concentro muito para reagir no momento certo. Queimei a largada pela primeira vez na carreira." Foi punido com um drive-through, passagem pela área dos boxes, e a perda de várias colocações. Era o 15.º na 17.ª volta.

A garra que caracteriza Alonso o levou a lutar pelo 3.º lugar com Rosberg no final. Acabou em 4.º. Nesse caminho foi desleal com Massa ao ultrapassá-lo na entrada do boxe, na 20.ª volta. Alonso elogiou a McLaren: "Eles não têm o melhor carro e lideram os dois campeonatos. Já nós ficamos aquém do nosso potencial." Entre os construtores a McLaren soma 109 pontos diante 90 da Ferrari, segunda colocada.

Além de Massa em 9.º, o Brasil teve Rubens Barrichello em 12.º e Bruno Senna em 16.º. Lucas Di Grassi abandonou com problemas de embreagem.

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