C13 agoniza apegado a contratos

Depois da debandada de associados no início deste ano, entidade corta gastos e direção parece conformada com o fim

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2011 | 00h00

Agitação, vaivém de dirigentes, reuniões importantes e um ambiente envolvido pelo prestígio típico dos palcos onde são tomadas grandes decisões. Tudo isso faz parte do passado. A rotina de funcionários e do escritório do Clube dos 13 mudou totalmente.

Após o levante dos clubes associados no início deste ano, quando decidiram negociar seus contratos para transmissão de jogos diretamente com as emissoras de TV, a entidade viu desaparecer a principal razão de sua existência.

Hoje, o Clube dos 13 agoniza e é mantido vivo com a ajuda de aparelhos que, no caso, são representados por velhos contratos que caminham para o encerramento.

Um deles é justamente o principal, que trata da transmissão em tevê aberta e fechada, que termina no final deste ano. Graças a ele, o C13 ainda recebe as parcelas do total de R$ 8 milhões por ano a que tem direito.

Porém, a partir da próxima temporada essa fonte de renda seca. Os clubes fecharam contratos individuais com a Rede Globo, atitude que deixou a entidade sem o porcentual de participação, normalmente fixado em 5%.

"Se tudo caminhar como está, a partir de 2012 as únicas fontes de renda serão participações em contratos fechados para transmissão para outros países, como o mercado asiático", explicou funcionário da entidade que preferiu não se identificar. "Vivemos um clima de indefinição."

Cortes. Embora os recursos ainda cheguem aos cofres, a estrutura do C13 já é preparada para o pior. As viagens, tanto de funcionários quanto de colaboradores e da própria diretoria foram cortadas. Participação e organização de simpósios também foram excluídas do orçamento.

Demissão de funcionários ainda não ocorreu. Mas todo quadro de pessoal já foi avisado que essa é a tendência. "Nem precisava. Se a entidade encerrar atividades, é óbvio que todo mundo estará sem trabalho."

O Estado tentou falar com o presidente do C13, Fábio Koff. Porém o dirigente, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não gostaria de comentar o assunto no momento.

Início do fim. A estrutura do Clube dos 13 começou a desabar no ano passado, quando Koff foi reeleito para a presidência. Ele bateu Kléber Leite, então candidato apoiado pela CBF. De lá para cá, a relação entre as duas entidades ficou cercada de farpas.

Em março deste ano, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, fez diversas críticas ao C13. Entre elas, a falta de transparência e o valor do orçamento para manter sua estrutura.

O clube foi o primeiro a solicitar o desligamento da entidade, sendo seguido pelos demais. Para oficializar o fim do C13, seria necessário os sócios formalizarem esse desejo em assembleia geral, que não foi realizada.

"O Clube dos 13 teve a sua importância porque foi a primeira agremiação que preservou o interesse conjunto dos clubes, mas, numa nova realidade, teve suas perdas", disse Mustafá Contursi, presidente do Sindicato dos Clubes e conselheiro do Palmeiras.

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