Caçula do Brasil enfrenta astro na Nova Zelândia

Alan Fonteles, de 18 anos, o mais jovem da delegação, duela pela 1ª vez, hoje, com Oscar [br]Pistorius, nos 200 m

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

CHRISTCHURCH / NOVA ZELÂNDIA

Alan Fonteles tem apenas 18 anos - é o mais jovem atleta da delegação brasileira no Mundial de Christchurch. Apesar da idade, treina e compete desde os 8 anos em Belém (PA). E também não se intimida em dividir a pista com o mais conhecido paraolímpico do mundo: o sul-africano Oscar Pistorius. O brasileiro não tem sido apontado como ameaça ao campeão olímpico e mundial nas provas em que estarão juntos (os 100 m e 200 m). Mas ser "esquecido"", para Alan, não é problema. Ao contrário. "Graças a Deus, as pessoas não têm me colocado nesta lista", brinca. O primeiro duelo entre eles ocorrerá hoje, às 21h19 (de Brasília), nas eliminatórias dos 200 m T44 (amputados). "Vou tentar beliscar uma medalha", diz o garoto, frisando ter mais chances nos 100 m.

Alan treina com Suzete Montalvão, ex-atleta olímpica dos 400 m que representou o Brasil na Olimpíada de Seul/1988, na pista do Estádio Mangueirão. Tem como ídolo o ex-velocista Robson Caetano. E, claro, também tem Pistorius como referência. "Desde 2008, comecei a me inspirar nele." Pistorius e Alan também estão em lados opostos quando o assunto é a participação de atletas paraolímpicos em competições olímpicas. O sul-africano conseguiu, na Corte Arbitral do Esporte, o direito de participar da Olimpíada de Pequim. Disputou as seletivas de seu país nos 400 m, mas não conseguiu uma vaga.

O brasileiro, por sua vez, defende a valorização das disputas paraolímpicas. "Uma coisa é certa: os paraolímpicos estão melhorando e se aproximando cada vez mais dos olímpicos. Nós lutamos para ter o nosso espaço e hoje existe Olimpíada e Paraolimpíada. Acho que seria prejudicial para os dois lados." Mesmo assim, disputou uma etapa da Liga Diamante em Londres, principal torneio do circuito da IAAF. Entre olímpicos e paraolímpicos, correu os 400 metros. Suas duas próteses de fibra de carbono, pouco abaixo do joelho e específicas para a corrida, custam R$ 25 mil cada e são importadas da Islândia. Ele passou pela amputação em ambas as pernas ainda bebê, por causa de complicação decorrente de uma infecção intestinal.

Primeira medalha. O Brasil celebrou sua 1.ª medalha ontem. Paulo Douglas Souza, de 23 anos, ganhou prata no lançamento de dardo F36 (paralisados cerebrais). Terezinha Guilhermina bateu o recorde mundial na prova dos 200 m T11 (cegos).

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