Claro Cortes IV|Reuters
Claro Cortes IV|Reuters

Cadeiras de rodas mais forte para suportar rúgbi paralímpico

Equipamentos são mais resistentes que o normal para esporte

Gustavo Zucchi - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2016 | 10h00

O rúgbi tem um desafio diferente nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Os atletas do esporte, famoso pelo intenso contato físico, têm de ter um material que não apenas permita mobilidade na quadra, mas também que aguente os "tackles" ao longo dos 32 minutos que dura a versão em cadeiras de rodas da modalidade. O choque é inevitável. Para tanto, o equipamento evoluiu desde sua primeira participação oficial em uma Paralímpiada, em Sydney-2000. Hoje, os jogadores contam com um suporte mais leve e feito especialmente para cada uma das necessidades específicas de disputa.

"Apesar de a cadeira destinada ao basquete possuir a mesma liga, ela tem estrutura mais limpa, porque ela vai ter um alto rendimento de manobras, mas com impactos relativos comparados ao rúgbi. Como é um esporte de impacto, é necessário uma cadeira mais robusta, resistente", explica Rodrigo Moreira, coordenador técnico Mobility Solutions da Ottobock. A empresa é uma das fornecedoras oficiais do Jogos Paralímpicos do Rio-2016 e tem expertise por estar no ramao desde Seul-1988. Ele explica que atualmente as cadeiras são feitas com uma liga de alumínio especial, conhecida como 7020T6, que traz resistência aliada a leveza: o peso varia de 22kg a 26kg.

"O composto vai garantir a estabilidade e durabilidade do produto de alto rendimento", afirma. "Você vai diferenciar os modelos das cadeiras à posição dos atletas em campo. A gente tem uma configuração para os atacantes e para os atletas de defesa. Para atacantes, você precisa promover um nível de estabilidade e de facilidade de manobras para facilitar a ação dos atletas. O conjunto entre o encosto tem de ser suficientemente protetor para que evite lesões. E dentro das configurações de defesa, a cadeira tem de ser construída dentro de uma estrutura que forneça mais estabilidade para que o atleta de defesa possa barrar as funções do rival", explica Rodrigo Moreira.

Além das especificidades para ataque e defesa, cada atleta paralímpico também tem necessidades que podem ser ajustadas no equipamento: profundidade e largura do assento, altura do encosto e comprimento da perna são feitos sob medida para cada indivíduo. Com isso, cada cadeira demora cerca de 10 dias para ficar pronta e ajustada. Isso é essencial, já que em um time de rúgbi paralímpico, assim como no basquete, cada atleta tem uma pontuação que depende de sua mobilidade e cada time tem uma pontuação máxima que pode atingir, tendo que mesclar diferentes tipos de deficiência.

"Quando a gente pensa em um sujeito que tem o nível de funcionalidade mais baixo, ele precisa de suporte para se manter sentado e desenvolver as funções esportivas. Com maior independência funcional, ele fica mais livre na cadeira. Mas essa marca individual é uma referência para a pontuação do time e não sua função em campo", conta Moreira.

HISTÓRIA

O rúgbi em cadeiras de rodas já está nos Jogos Paralímpicos há 16 anos. Sua estreia como esporte de demonstração foi quatro anos antes, em Atlanta-1996. De lá para cá, os Estados Unidos construíram uma pequena hegemonia no quadro de medalhas, obtendo duas de ouro e duas de bronze, seguidos pela Austrália, com uma de ouro e duas de prata. O Canadá, país de origem do esporte, está em terceiro lugar, com duas de prata e uma de bronze. Nos equipamentos as mudanças também ocorreram.

"Quando a gente pensa na construção das cadeiras de antigamente, trabalhávamos com soldas mais pesadas, com tubos muito mais pesados em função da necessidade da atividade esportiva. Com o passar dos anos, a tecnologia veio especialmente em função de adquirir equipamentos que sejam mais leves, mas que mantenham a mesma eficiência", complementa o coordenador técnico da Ottobock. As cadeiras tem garantia de quatro anos, mas a expectativa é que na mão de um atleta de alto rendimento, como os que vão aos Jogos Paralímpicos, ela dure pelo menos o dobro, mesmo com os impactos. 

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