Joe Nicholson/USA TODAY Sports
Joe Nicholson/USA TODAY Sports

Cairo Santos projeta retorno para a NFL: 'Estou confiante que uma nova oportunidade surgirá'

Em entrevista ao Estado, único jogador brasileiro na NFL comemora o fato de ter voltado a jogar em alto nível após enfrentar lesões em 2017 

Felipe Laurence, Especial para o Estado

25 Outubro 2018 | 18h52

Cairo Santos tinha tudo para se estabelecer como um dos kickers mais consistentes da NFL. Após surpreender na sua primeira pré-temporada na liga, em 2014, e ganhar a vaga do veterano Ryan Succop no Kansas City Chiefs, o brasileiro natural de Limeira, no interior de São Paulo, se tornou o primeiro jogador nascido no Brasil a atuar profissionalmente nos Estados Unidos

Após boas temporadas em que estabeleceu recordes no time, como mais pontos marcados nas três primeiras temporadas pelo time, kicker com a melhor taxa de conversão de field goals na história do time e sendo escolhido como um dos melhores jogadores da NFL em novembro de 2016, Cairo viu sua carreira sofrer um baque em 2017 por conta de lesões.

Um estiramento no músculo da virilha fez com que sua temporada acabasse cedo e Cairo acabou sendo cortado do time. Ele passou por outras equipes, como Chicago Bears e New York Jets, mas ainda sob efeito da lesão que afeta o desempenho de jogadores da sua posição, o que lhe prejudicou. 

Foi então que surgiu uma chance no Los Angeles Rams, o melhor time da NFL na temporada atual, para substituir o kicker titular, que também enfrentava uma lesão na virilha. Cairo acabou sendo dispensado semanas depois, mas o bom desempenho o animou e ele acredita que vão surgir novas chances na liga agora. 

Em entrevista ao Estado, Cairo contou sobre o processo de recuperação que enfrentou e o que espera do seu futuro na NFL. 

Como foi essa sua experiência no Los Angeles Rams, possivelmente o melhor time na NFL nesta temporada? Como surgiu essa oportunidade e como foi trabalhar com John Fassel, que é considerado um dos melhores coordenadores de times especiais da liga?

A oportunidade de ir para Los Angeles surgiu depois que o Greg Zuerlein, kicker titular deles, se machucou. Então já fui pra lá sabendo que não seria uma oportunidade longa, mas mesmo assim fiquei feliz em poder trabalhar com um grupo de jogadores como o dos Rams. O John Fassel é um técnico incrível, foi gratificante e produtivo trabalhar com alguém com tanto conhecimento e tão respeitado como ele.

Agora que você foi liberado pelo Rams, quais os próximos passos? Vai voltar para a Flórida e ficar treinando lá enquanto espera surgir nova oportunidade?

Sim. Estarei em Jacksonville na Flórida onde moro e treino enquanto espero nova ligação.

Acho que não há controvérsias em dizer que o ano de 2017 foi bem complicado para você: após várias temporadas como um dos melhores kickers titulares na NFL, a lesão na virilha que ocasionou seu corte pelo Chiefs. Como foi esse corte? Você esperava que Kansas City te mantivesse no IR (lista de machucados) ou partiu de você a iniciativa para ser dispensado da lista de machucados?

Pois é, a virilha é uma área delicada e difícil ser completamente recuperada mantendo a rotina intensa de chutes que a temporada exige. Então, demorei para ficar 100% saudável. Sobre o Chiefs, gostaria que eles tivessem me mantido no IR o resto do ano para que eu não fosse pressionado a voltar a ativa o mais rapidamente possível, como aconteceu. Mas eles me explicaram que a intenção era me cortar para possivelmente me recontratar quando estivesse bem, caso eles ainda precisassem de um kicker. Eu concordei que seria melhor buscar me recuperar e esperar pela volta ao Chiefs ou por uma oportunidade em um novo time. 

Explica um pouco o que foi essa lesão na virilha que você sofreu, foi algum tipo de pubalgia? Houve complicações no processo de reabilitação?

Primeiro, foi um estirão no músculo da virilha que se reincidiu algumas vezes e, depois, descobri uma pubalgia. Então, precisei fazer uma cirurgia em dezembro para corrigir tudo. O processo de reabilitação foi normal, mas mais longo. Demorou alguns meses para eu conseguir chutar sem sentir incômodo na virilha.

Quando você foi contratado pelo Chicago Bears, ainda em 2017, você estava totalmente saudável? O que você tira da breve passagem por lá?

Depois de ter sido cortado pelo Chiefs, houve alguns times muito interessados em me contratar assim que estivesse 100%. Eu esperei duas semanas após me sentir saudável para aceitar o convite e ir fazer o teste no Bears. No teste, eles me colocaram para chutar bastante e chutei bem. E o mais importante é que senti que estava bem. Mas, infelizmente a virilha não aguentou e acabou estirando novamente algumas semanas depois. O Bears se preocupou bastante em achar o melhor tratamento para mim e me mandou ao melhor especialista de virilha dos Estados Unidos, onde acabei fazendo a cirurgia. Então, sou muito grato por isso.

E o New York Jets? Nos fale um pouco sobre o processo de contratação e como foi a pré-temporada deste ano lá.

O meu período com o Jets foi difícil porque cheguei lá ainda em processo de recuperação pós-cirurgia. Eles sabiam disso e me ajudaram na reabilitação. Mas, como disse, demorou para que eu conseguisse chutar sem incômodo por conta do processo de quebra de cicatrizes no músculo operado.  Eles foram pacientes e agradeço pelo tratamento. Mas não pude participar de muitos treinos para convencê-los de que estava pronto para começar a temporada regular.

Antes de surgir essa oportunidade no Rams, outros times chegaram a entrar em contato com você? Pela imprensa soubemos que o Cleveland Browns chegou a fazer testes contigo.

Alguns times entraram em contato, mas eles não estavam com pressa para trocar o kicker deles. Depois do teste com o Browns, fiz um teste com o Detroit Lions logo antes de surgir a oportunidade com o Rams. 

Acredito que o Rams tenha te explicado no momento da contratação que a sua situação no time era passageira até a volta de Greg Zuerlein aos campos. O que esperar para o restante da temporada?

Eu sabia que não duraria minha passagem por lá. O mais importante seria mostrar para os outros 31 times que estou totalmente saudável. Estou confiante que uma nova oportunidade surgirá.

O seu trabalho como kicker mudou com a nova regra para os kickoffs que entrou em vigor nesta temporada? O que você teve de adaptar ao seu jogo e como foi o trabalho dos times em passar para os jogadores essas mudanças?

Não mudou muito pra mim. Continuo precisando fazer chutes longos para touchback e chutes altos e curtos que forçam o retorno para tentarmos parar o adversário antes da linha de 25 jardas. As maiores adaptações tiveram de acontecer nos time de retorno e cobertura, pois foram ondes as regras mudaram mais.

Como estão os seus planos para realizar camps aqui no Brasil e criar esse elo entre os jogadores brasileiros de futebol americano e oportunidades no esporte colegial e universitário dos EUA? O que podemos esperar?

Tive bastante tempo para pensar sobre isso durante esse ano "parado". Quero focar durante a minha offseason em projetos que venho criando para continuar trazendo a experiência de NFL para os fãs de futebol americano no Brasil. Quero continuar a fazer os camps e expandir para mais cidades. Além disso, também quero criar projetos para abrir portas nos Estados Unidos para atletas brasileiros que sonham em seguir a mesma rota que segui. Jogar futebol nas universidades nos Estados Unidos é o caminho para se profissionalizar no esporte e também uma boa oportunidade de adquirir uma Educação de qualidade por meio de bolsas para atletas.

 

 

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