Caixinha de surpresas

Boleiros

Neto, jfneto@estadao.com.br, O Estadao de S.Paulo

08 de outubro de 2007 | 00h00

Amigos leitores, o clássico de ontem provou que o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas. Quando que um time na zona de rebaixamento, cheio de problemas, venceria o forte e virtual campeão brasileiro? Só nesse esporte mesmo. Por isso, é tão apaixonante. Sem tirar os méritos de todos os jogadores corintianos que correram muito, mas o jogo só teve o Alvinegro como vencedor graças a dois personagens especiais. Em primeiro lugar o técnico Nelsinho Baptista, que teve a ousadia e a inteligência necessárias para armar a equipe marcando o adversário os 90 minutos. A tática de não deixar os alas são-paulinos jogarem matou a partida. Aí, quando o duelo estava chegando ao fim, o Timão teve competência para marcar com o injustiçado Betão. Esse menino é dedicado, profissional, inteligente, tem mais de 200 jogos com a camisa corintiana e, além de tudo, quebrou tabu que já durava 4 anos. O Betão não é craque, mas um bom jogador. Aliás, respeita a camisa do Corinthians como poucos. O Tricolor, mesmo com a derrota, é o legítimo campeão. E o Corinthians precisa jogar com humildade e raça para escapar do rebaixamento. Se ficar se achando, dança. * * * * *A vitória contra o Grêmio fez o Palmeiras dar uma arrancada importantíssima, pra não dizer definitiva, rumo à Libertadores da América do ano que vem. O time do técnico Caio Júnior, liderado pelo inspirado xará Caio, teve uma atuação taticamente perfeita. Para se ter uma idéia da vontade dos jogadores, até o Valdívia e o atacante Luiz Henrique ajudavam a marcar a saída de bola do adversário. O Rodrigão, autor do segundo gol, também brigou pela posse de bola o tempo inteiro. Acredito que, mais do que propriamente o lado técnico, a grande virtude do comandante do Verdão nessa arrancada final tem sido a tranqüilidade, além da vontade que ele passa para a equipe. Obviamente não podemos esquecer a força da torcida, que tem sido fundamental para a boa campanha do Palmeiras neste Brasileirão. * * * * *Absurdo o que foi feito com o Valdívia no Palestra Itália. Mal o chileno tocava na bola e os jogadores gremistas chegavam com violência. Uma verdadeira falta de bom senso, principalmente do árbitro Weber Roberto Lopes, que assistiu a tudo passivamente. Primeiro o camisa 10 palmeirense recebeu uma pancada desleal do Sandro Goaino; depois, levou um soco nas costas do paraguaio Gavillán. O pior é que o juiz estava de frente para esse lance e não fez absolutamente nada. Era para ter expulsado o gaúcho e dar pênalti em favor do Verdão. Na contramão disso tudo, o Valdívia não entrou na provocação e jogou muita bola. Olha, ao contrário de muito time por aí, o Verdão está no caminho certo. * * * * *Outro paulista que teve um resultado excelente foi o Santos. Vencer o Botafogo, no Rio, com o gol salvador do Renatinho no finalzinho da partida, lavou a alma da equipe e, de quebra, manteve o Peixe na terceira posição da tabela. Se não prima pelo brilhantismo técnico, o time da Baixada tem um treinador competente que sabe traçar um planejamento vencedor. Acredito inclusive que uma das vagas para a Libertadores de 2008 deva ficar na Vila Belmiro. Só tenho uma crítica a fazer: sempre falaram mal do Rodrigo Tabata, mas, eu que o conheço bem, sei que ele pode render muito mais do que vem produzindo. COLABOROU RENATO NALESSO

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