Wilton Junior/AE - 22/8/2010
Wilton Junior/AE - 22/8/2010

Caldeira muda rumo para lutar por Londres

Fundista troca de clube e se dedica a correr maratonas na busca do índice para os Jogos

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h07

SÃO PAULO - Franck Caldeira completou 29 anos há menos de dez dias. Mas a sensação é de que a carreira no atletismo, que já completa uma década, ainda não deslanchou como deveria. "Quero dar a volta por cima", diz o fundista, que venceu a São Silvestre de 2006 e não consegue um resultado relevante desde 2007, quando ganhou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos do Rio.

Disposto a brigar por uma vaga nos 42.195 metros dos Jogos de Londres, Franck resolveu mudar tudo em 2011: trocou Belo Horizonte por Campinas, deixou de ser atleta do Cruzeiro para defender a Orcampi e deixou de ser orientado por Alexandre Minardi para começar a trabalhar com Ricardo D'Angelo, técnico que levou Vanderlei Cordeiro de Lima ao bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004.

O período de "seca" coincide com o tempo em que Franck defendeu o time mineiro. "Fiquei quatro anos sem resultados", afirma. De acordo com o fundista, a opção por se dedicar a provas de rua apenas no Brasil - a maioria delas com nível técnico bastante questionável -, e em um calendário exaustivo, foi dele.

"Era uma questão contratual. O Cruzeiro gostava mais dessa coisa do marketing das provas nacionais. Eu sabia que seria assim, optei por isso e paguei um preço. Agora, tenho de correr atrás do tempo que eu perdi", explica, e deixa claro que o rompimento com a equipe foi "tranquilo".

Após o ouro no Pan, Franck deixou as maratonas de lado. Em 2008, conseguiu sua melhor marca na distância, 2h12min32, com o 18.º lugar em Paris, que lhe valeu o índice para a Olimpíada de Pequim. "Depois disso, participei de quatro maratonas, mas só terminei duas." Uma das que abandonou foi a dos Jogos Olímpicos, no km 25. No fim do ano passado, já em sua "nova fase", foi para Fukuoka. Correu na casa das 2h20, longe do índice olímpico, que é de 2h15.

"Se eu tivesse continuado a me dedicar às maratonas, já teria condições de estar correndo na casa das 2h10. Mas só fiz marcas ruins, porque não se forma um maratonista correndo apenas no Brasil", explica. "Agora é obrigação: tenho de fazer isso."

Para concretizar a "volta por cima", Franck terá de reagir rápido. Em 15 de abril, correrá a Maratona de Milão. "É uma prova que eu já corri e que eu conheço o percurso." E, se houver algum problema, o plano B é a Maratona de Londres, apenas uma semana depois - o prazo para a obtenção do índice termina no dia 29. "Estou confiante e espero não ter de usar essa alternativa. Agora a estrutura e a motivação que eu tenho são outras."

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